domingo, 2 de junho de 2024

VÓS, QUE DIZEIS?

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VÓS, QUE DIZEIS?

E perguntou-lhes: E vós, quem dizeis que eu sou?

(LUCAS, 9:20).

Nas discussões propriamente do mundo, existirão sempre escritores e cientistas dispostos a examinar o Mestre, na pauta de suas impressões puramente intelectuais, sob os pruridos da presunção humana.

Esses amigos, porém, não tiveram contacto com a alma do Evangelho, não superaram os círculos acadêmicos e nem arriscam títulos convencionais, numa excursão desapaixonada através da revelação divina; naturalmente, portanto, continuarão enganados pela vaidade, pelo preconceito ou pelo temor que lhes são peculiares ao transitório modo de ser, até que se lhes renove a experiência nas estradas da vida imperecível.

Entretanto, na intimidade dos aprendizes sinceros e fiéis, a pergunta de Jesus reveste-se de singular importância.

Cada um de nós deve possuir opiniões próprias, relativamente à sabedoria e à misericórdia com que temos sido agraciados.

Palestras vãs, acerca do Cristo, quadram bem apenas a espíritos desarvorados no caminho da vida. A nós outros, porém, compete o testemunho da intimidade com o Senhor, porque somos usufrutuários diretos de sua infinita bondade. Meditemos e renovemos aspirações em seu Evangelho de amor, compreendendo a impropriedade de mútuas interpelações, com respeito ao Mestre, porque a interrogação sublime vem dele a cada um de nós e todos necessitamos conhecê-lo, de modo a assinalá-lo em nossas tarefas de cada dia.

NOSSA REFLEXÃO

Esse versículo, que Emmanuel escolheu pra o prompt de sua mensagem, através de Chico Xavier, ocorreu próximo ao calvário do Mestre.

Chegava o fim de Sua Missão, entre nós, e Ele precisava deixar costurado com o seus discípulos alguns entendimentos sobre a sua realidade espiritual junto ao Pai e sua missão reencarnatória entre nós.

Respondendo à Pedro sobre a sua realidade dita pelas pessoas comuns e ou religiosas, Ele orientou sobre o seu sacrifício e a real relação que deveríamos ter com Ele e da necessidade de cada um carregar sua cruz:

É necessário o filho do homem padecer muitas {coisas}, ser rejeitado pelos anciãos, sumos-sacerdotes e escribas, ser morto e levantar-se no terceiro dia. Ele dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue a si mesmo, tome a sua cruz a cada dia, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá, e quem perder a sua vida por minha causa, esse a salvará. Porquanto, que benefício tem o homem ao ganhar o mundo inteiro, destruindo a si mesmo ou sofrendo perda? (LUCAS, 9: 22-25).[1] 

Sobre a nossa coragem diante de nossas atribulações (simbolizada pela cruz, que Ele carregou e orientou que carregássemos a nossa), A. Kardec nos explica que Ele quis dizer, de outro modo, que devemos suportar

[...] corajosamente as tribulações que sua fé lhe acarretar, dado que aquele que quiser salvar a vida e seus bens, renunciando a mim, perderá as vantagens do Reino dos Céus, enquanto os que tudo houverem perdido neste mundo, mesmo a vida, para que a verdade triunfe, receberão, na vida futura, o prêmio da coragem, da perseverança e da abnegação de que deram prova. Mas aos que sacrificam os bens celestes aos gozos terrestres, Deus dirá: “Já recebestes a vossa recompensa”.[2]

Que tenhamos, então, consciência dessa cumplicidade espiritual que devemos ter com o Mestre, de modo construtivo, sem perder de vista a nossa realidade espiritual após a perda do corpo físico, ou seja, a nova vida futura.[3]

Que Deus nos ajude.

Domício.


[1] Vide em O Novo Testamento (Dias, 2013 , p. 299)
[2] Vide em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXIV (Não ponhais a candeia debaixo do alqueire), Item 19 (Carregar sua cruz. Quem quiser salvar a vida, perdê-la-á).
[3]
Vide a respeito em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. II (Meu reino não é deste mundo), Item 2 (A vida futura).

domingo, 26 de maio de 2024

A GRANDE LUTA

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A GRANDE LUTA

Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.

Paulo (EFÉSIOS, 6:12).

Segundo nossas afirmativas reiteradas, a grande luta não reside no combate com o sangue e a carne, propriamente, mas sim com as nossas disposições espirituais inferiores.

Paulo de Tarso agiu divinamente inspirado, quando escreveu sua recomendação aos companheiros de Éfeso.

O silencioso e incessante conflito entre os discípulos sinceros e as forças da sombra está vinculado em nossa própria natureza, porquanto nos acumpliciávamos abertamente com o mal, em passado não remoto.

Temos sido declarados participantes das ações delituosas nos lugares celestiais.

E, ainda hoje, entre os fluidos condensados da carne ou nas esferas que lhes são próximas, agimos no serviço de autorestauração em pleno paraíso.

A Terra é, igualmente, sublime degrau do Céu.

Quando alguém se reporta aos anjos caídos, os ouvintes humanos guardam logo a impressão de um palácio soberbo e misterioso, de onde se expulsam criaturas sábias e luminosas.

Não se verifica o mesmo, quando um homem culto se entrega ao assassínio, à frente de uma universidade ou de um templo?

Geralmente o observador terrestre relaciona o crime, não se detendo, porém, no exame do lugar sagrado e venerável em que se consumou.

A grande luta, a que o Apóstolo se refere, prossegue sem descanso.

As cidades e as edificações humanas são zonas celestiais. Nem elas e nem as células orgânicas que nos servem, constituem os poderosos inimigos, e, sim, as “hastes espirituais da maldade”, com as quais nos sintonizamos através dos pontos inferiores que conservamos desesperadamente conosco, vastas arregimentações de seres e pensamentos sombrios que obscurecem a visão humana, e que operam com sutileza, de modo a não perderem os ativos companheiros de ontem.

NOSSA REFLEXÃO

Emmanuel, nesta página, referencia o nosso mundo espiritual na relação com o nosso mundo material. Faz-nos lembrar que o Brasil foi ressalvado, pelo Espírito Humberto de Campos (Chico Xavier), na obra Brasil, coração do mundo, pátria do evangelho (FEB), como sendo a região para a qual foi transplantada a árvore do evangelho.

Contudo, nesta pátria, que abriga o maior celeiro religioso cristão do mundo, e nas hostes cristãs, a luta por, permanência ou não, de orientações da extrema direita que dialoga com o fascismo, racismo, xenofobia e demais fobias sociais, contrárias ao espírito da caridade, preconizada pelo Cristianismo/Espiritismo.

Emmanuel, inspirado em Paulo de Tarso, nos faz lembrar do cuidado de termos em mente que os locais materiais aos quais temos acesso ou não, não são nossos inimigos, pois se constituem “zonas celestiais”, como a Terra, por sua vez, se constitue  um “sublime degrau do Céu”. Para Emmanuel, devemos lutar contra

as “hastes espirituais da maldade”, com as quais nos sintonizamos através dos pontos inferiores que conservamos desesperadamente conosco, vastas arregimentações de seres e pensamentos sombrios que obscurecem a visão humana, e que operam com sutileza, de modo a não perderem os ativos companheiros de ontem.

Esta página de Emmanuel se vincula, perfeitamente, com outra de sua autoria, no livro Fonte Viva (Guardai-vos dos cães), refletida por nós. Nela, temos as características daqueles que estão entre nós para conturbar, quais sejam:

São os adversários sistemáticos do bem.

Atassalham reputações dignas.

Estimam a maledicência.

Exercitam a crueldade.

Sentem prazer com a imposição tirânica que lhes é própria.

Desfazem a conceituação elevada e santificante da vida.

Desarticulam o serviço dos corações bem-intencionados.

Atiram-se, desvairadamente, à substância das obras construtivas, procurando consumi-Ias ou pervertê-las.

Vomitam impropérios e calúnias.

Gritam, levianos, que o mal permanece vitorioso, que a sombra venceu, que a miséria consolidou o seu domínio na Terra, perturbando a paz dos servos operosos e fiéis.

E, quando o micróbio do ódio ou da cólera lhes excita a desesperação, ai daqueles que se aproximam, generosos e confiantes!

Estes são dados a injúrias e violências, contrárias a bem-aventurança Bem-aventurados os que são brandos e pacíficos (MATEUS, 5:5; MATEUS, 5:9; MATEUS, 5:21 e 22) [1]. Para A. Kardec, com as máximas contidas no versículos citados acima, “[...] Jesus faz da brandura, da moderação, da mansuetude, da afabilidade e da paciência, uma lei. Condena, por conseguinte, a violência, a cólera e até toda expressão descortês de que alguém possa usar para com seus semelhantes.”[2]

Desse modo, que lutemos contra os inimigos que ainda se encontram em nós, evitando que se aproximem de nós, as nuvens (HEBREUS, 12:1) que nos acompanham (especialmente aqueles do plano espiritual) “[...] e que operam com sutileza, de modo a não perderem os ativos companheiros de ontem.”

Que Deus nos ajude.

Domício.


[1] Vide o Cap. IX (Bem-aventurados os que são brandos e pacíficos) de O Evangelho segundo o Espiritismo.
[2]
Vide a dissertação, na íntegra, em O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. IX, Item 4 (Injúrias e violências).

domingo, 19 de maio de 2024

A POSSE DO REINO

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A POSSE DO REINO

Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, e dizendo que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus.

(ATOS, 14:22).

O Evangelho a ninguém engana, em seus ensinamentos.

É vulgar a preocupação dos crentes tentando subornar as forças divinas. Não será, no entanto, ao preço de muitas missas, muitos hinos ou muitas sessões psíquicas que o homem efetuará a sublime aquisição de espiritualidade excelsa.

Naturalmente, toda prática edificante deve ser aproveitada por elemento de auxilio, no entanto, compete a cada individualidade humana o esforço iluminativo.

A Boa-Nova não distribui indulgências a preço do mundo e a criatura encontra inúmeros caminhos para a ascensão.

Templos e instrutores se multiplicam e cada qual oferece parcelas de socorro ou assistência, no serviço de orientação; contudo, a entrada e posse na herança eterna se verificará através de justos testemunhos.

Isto não é acidental. É medida lógica e necessária.

Não se improvisam estátuas raras, sem golpes de escopro, como não se colhe trigo sem campo lavrado.

Não poucos aprendizes costumam interpretar certas advertências do Evangelho por excesso de exortação ao sofrimento, no entanto, o que lhes parece obsessão pela dor é imperativo de educação da alma para a vida imperecível.

Homem algum encontrará o estuário infinito das energias divinas, sem o concurso das tribulações da Terra.

Personalidade sem luta, na crosta planetária, é alma estreita.

Somente o trabalho e o sacrifício, a dificuldade e o obstáculo, como elementos de progresso e auto-superação, podem dar ao homem a verdadeira notícia de sua grandeza.

NOSSA REFLEXÃO

O legado que o Cristo nos deixou é de grande utilidade quando nos desanimarmos na luta. Ele apresentou as condições de entrada no Reino de Deus, após o decesso do corpo físico (Mateus, 22:1 a 14; Mateus, 7:13 e 14; Lucas, 13:23 a 30; Mateus, 7:21 a 23; Mateus, 7:24 a 27; Lucas, 6:46 a 49; Lucas, 12:47 e 48; João, 9:39 a 41)[1].

A perfeição requer muito esforço e tempo pra ser atingida. Daí, quando A. Kardec ao caracterizar o verdadeiro espírita, não o designou como um Espírito Perfeito. Senão vejamos: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.” [2]

Allan Kardec, corroborou com Paulo, o apóstolo, pois este já se antecipou a ele, quando nos iluminou:

Esforçai-vos, pois, para que os vossos irmãos, observando-vos, sejam induzidos a reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, sem embargo da seita a que pertençam.[3]

Desse modo, independente, da religião, todos podemos ser verdadeiros cristãos, e em particular, sendo espíritas.

Sabemos não ser fácil, a porta estreita preconizada por Cristo, como condição pra entramos no Reino de Deus.

Por que não é fácil? A. Kardec nos explica. Corroborando consigo mesmo, quanto à sua definição de verdadeiro espírita:

Larga é a porta da perdição, porque são numerosas as paixões más e porque o maior número envereda pelo caminho do mal. É estreita a da salvação, porque a grandes esforços sobre si mesmo é obrigado o homem que a queira transpor, para vencer suas más tendências, coisa a que poucos se resignam. É o complemento da máxima: “Muitos são os chamados e poucos os escolhidos.” (grifos nossos).[4]

Que possamos mudar nosso modo de sentir[5], contribuindo no dia a dia com os nossos semelhantes, com a natureza e, como consequência, conosco mesmo, no sentido de podermos receber a credencial pra adentrar ao reino de Deus..

Que Deus nos ajude.

Domício.


[1] Vide interpretações kardequianas em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVIII (Muitos os chamados, poucos os escolhidos).
[2]Vide em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVII (Sede perfeitos), Item 4 (Os bons espíritas).
[3] Vide em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XV (Fora da caridade não há salvação), Item 10 (Fora da caridade não há salvação)
[4] Vide em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVIII (Muitos os chamados, poucos os escolhidos), Item 5 (A porta estreita).
[5]
Vide mensagem de Emmanuel, do livro Fonte Viva (Chico Xavier – FEB), intitulada Modo de Sentir, e refletida por nós.

domingo, 12 de maio de 2024

DIA DAS MÃES

 BOM DIA!!
Hoje, por motivo de viagem pra passar o Dia das Mães com minha Mãe, suspendo a Nossa Reflexão de hoje.
Deixo com os e as leitores(as)/estudiosos(as) da Doutrina Espírita que acessam esta página, um poema de agradecimento à minha Mãe.

SONETO PARA MINHA MÃE
L. Angel

Recebeste-me no coração
Numa hora crucial.
Precisava de um empurrão
E surgiste como saída providencial.


Deus em sua bondade notória,
Deu-me mais uma encarnação.
Em sua infinita misericórdia,
Abriu-me uma porta para minha redenção.


Para isso, você, Mãe amorosa,
Na minha estrada tortuosa,
Podou, o que pôde, minhas más tendências.


Sou grato por imensa doação,
Que riqueza nenhuma, até então,
Pode substituir minhas gratas reverências.

domingo, 5 de maio de 2024

GOVERNO INTERNO

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GOVERNO INTERNO

Antes subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de algum modo a ficar reprovado.

Paulo (I CORÍNTIOS, 9:27).

Efetivamente, o corpo é miniatura do Universo.

É imprescindível, portanto, saber governá-lo.

Representação em material terrestre da personalidade espiritual, é razoável esteja cada um atento às suas disposições. Não é que a substância passiva haja adquirido poder superior ao da vontade humana, todavia, é imperioso reconhecer que as tendências inferiores procuram subtrair-nos o poder de domínio.

É indispensável esteja cada homem em dia com o governo de si mesmo.

A vida interior, de alguma sorte, assemelha-se à vida de um Estado. O espírito assume a autochefia, auxiliado por vários ministérios, quais os da reflexão, do conhecimento, da compreensão, do respeito e da ordem. As idéias diversas e simultâneas constituem apelos bons ou maus do parlamento íntimo. Existem, no fundo de cada mente, extensas potencialidades de progresso e sublimação, reclamando trabalho.

O governador supremo que é o espírito, no cosmo celular, redige leis benfeitoras, mas nem sempre mobiliza os órgãos fiscalizadores da própria vontade. E as zonas inferiores continuam em antigas desordens, não lhes importando os decretos renovadores que não hostilizam, nem executam. Em se verificando semelhante anomalia, passa o homem a ser um enigma vivo, quando se não converte num cego ou num celerado.

Quem espera vida sã, sem autodisciplina, não se distancia muito do desequilíbrio ruinoso ou total.

É necessário instalar o governo de nós mesmos em qualquer posição da vida. O problema fundamental é de vontade forte para conosco, e de boa vontade para com os nossos irmãos.

NOSSA REFLEXÃO

O nosso corpo físico, de modo geral é reflexo do que pensamos ou fazemos, conosco mesmo ou com o próximo.

Nossa realidade físico-espiritual traduz nosso passado espiritual, particularmente traduzido, em geral, num corpo doente que nos faz sofrer, como a quem cuida de nós.

Somos sabedores que precisamos cuidar do corpo e do espírito que vivem numa simbiose durante uma vida reencarnatória.

A partir de passagens evangélicas, A. Kardec, assessorado pela equipe encarregada da codificação da Doutrina Espírita, nos apresentou uma instrução do Espírito Georges, Espírito Protetor que nos esclarece sobre a sintonia que devemos manter entre cuidar do corpo e do espírito. A partir do debate existente entre os ascetas e os materialistas sobre os extremos que impõem ao corpo e ao espírito, ele nos faz refletir:

Em parte alguma; e o grande problema ficaria sem solução, se o Espiritismo não viesse em auxílio dos pesquisadores, demonstrando-lhes as relações que existem entre o corpo e a alma e dizendo-lhes que, por se acharem em dependência mútua, importa cuidar de ambos. Amai, pois, a vossa alma, porém, cuidai igualmente do vosso corpo, instrumento daquela. Desatender as necessidades que a própria Natureza indica, é desatender a Lei de Deus. Não castigueis o corpo pelas faltas que o vosso livre-arbítrio o induziu a cometer e pelas quais é ele tão responsável quanto o cavalo mal dirigido, pelos acidentes que causa (grifos nossos)[1].

Emmanuel, também, nos faz refletir sobre essa relação espírito-corpo em sua página intitulada (e refletida por nós) Estás doente?, grafada no livro Fonte Viva (CHICO XAVIER-FEB):

Se te encontras enfermo, não acredites que a ação medicamentosa, através da boca ou dos poros, te possa restaurar integralmente. O comprimido ajuda, a injeção melhora, entretanto, nunca te esqueças de que os verdadeiros males procedem do coração. [...] De que vale a medicação exterior, se prossegues triste, acabrunhado ou insubmisso? [...] Como regenerar a saúde, se perdes longas horas na posição da cólera ou do desânimo? (grifos nossos).

Que, então, saibamos nos governar, dispensando ser como ascetas e materialistas e cuidemos com o nosso corpo, seja pelo o que alimentamos materialmente, seja pelo o que pensamos e agimos no dia a dia de nossas vidas.

Que Deus nos ajude.

Domício.

Ps. Compartilho com os (as) leitores (as) desta página um poema de L. Angel sobre esta temática que refletimos, na data de hoje.

CUIDADO COM O CORPO
L. Angel        13/07/2010
 
Corpo que me sustenta,
Instrumento divino da encarnação.
Possibilita-me conhecer o Pai da Criação
Na trajetória que minh’alma experimenta.
 
Cuidado contigo vou ter,
Se eu quiser ser feliz.
O diário de minha vida é que diz
Como tenho adiado esse momento de meu ser.
 
Peço a Deus que me ajude
A ter mais atitude
Com o móvel de minha evolução.
 
Se nasci foi para bem viver,
Não tenho que meu corpo escarnecer.
Grato, meu Deus, por essa divina benção!



[1] Vide mensagem, na íntegra, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVII (Sede perfeitos), Item 11 (Cuidar do corpo e do espírito).

domingo, 28 de abril de 2024

O FILHO EGOÍSTA

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O FILHO EGOÍSTA

Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo, há tantos anos, sem jamais transgredir um mandamento teu, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos.

(LUCAS, 15:29).

A parábola não apresenta somente o filho pródigo. Mais aguçada atenção e encontraremos o filho egoísta.

O ensinamento velado do Mestre demonstra dois extremos da ingratidão filial. Um reside no esbanjamento; o outro, na avareza. São as duas extremidades que fecham o círculo da incompreensão humana.

De maneira geral, os crentes apenas enxergaram o filho que abandonou o lar paterno, a fim de viver nas estroinices do escândalo, tornando-se credor de todas as punições; e raros aprendizes conseguiram fixar o pensamento na conduta condenável do irmão que permanecia sob o teto familiar, não menos passível de repreensão.

Observando a generosidade paterna, os sentimentos inferiores que o animam sobem à tona e ei-lo na demonstração de sovinice.

Contraria-o a vibração de amor reinante no ambiente doméstico; alega, como autêntico preguiçoso, os anos de serviço em família; invoca, na posição de crente vaidoso, a suposta observância da Lei divina e desrespeita o genitor, incapaz de partilhar-lhe o justo contentamento.

Esse tipo de homem egoísta é muito vulgar nos quadros da vida. Ante o bem-estar e a alegria dos outros, revolta-se e sofre, através da secura que o aniquila e do ciúme que o envenena.

Lendo a parábola com atenção, ignoramos qual dos filhos é o mais infortunado, se o pródigo, se o egoísta, mas atrevemo-nos a crer na imensa infelicidade do segundo, porque o primeiro já possuía a bênção do remorso em seu favor.

NOSSA REFLEXÃO

Eis uma situação singular: num mesmo contexto familiar encontramos dois seres que representam os extremos de atitudes em relação à riqueza – a prodigalidade e a avareza.

Um, como Emmanuel nos diz, foi abençoado pelo “[...] remorso em seu favor” e o outro iniciou sua infelicidade pelo egoísmo que revelou, cobrando sua servidão ao pai e se envenando pelo ciúme.

O remorso e o arrependimento são duas atitudes que nos ajustam perante a Lei de Deus. Como Deus é misericordioso, infinitamente, Ele, conforme nos esclarece o Espírito Lamenais: “O Pai vos estende os braços e está sempre pronto a festejar o vosso regresso ao seio da família.”[1] Isto que o Cristo quis nos ensinar com a Parábola, quando nós nos afastamos das Leis de Deus.

A riqueza, como a pobreza, são provas de ascensão para o Espírito.

A. Kardec, discorrendo sobre a riqueza, e confrontando com a pobreza, nos ilumina:

Sem dúvida, pelos arrastamentos a que dá causa, pelas tentações que gera e pela fascinação que exerce, a riqueza constitui uma prova muito arriscada, mais perigosa do que a miséria. É o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual. É o laço mais forte que prende o homem à Terra e lhe desvia do céu os pensamentos. Produz tal vertigem que, muitas vezes, aquele que passa da miséria à riqueza esquece de pronto a sua primeira condição, os que com ele a partilharam, os que o ajudaram, e faz-se insensível, egoísta e vão.[2]

Mas sendo rico, que atitude deve ter aquele possuidor de uma riqueza? A prodigalidade seria um exemplo de desprendimento material?

Esbanjar a riqueza não é demonstrar desprendimento dos bens terrenos: é descaso e indiferença. Depositário desses bens, não tem o homem o direito de os dilapidar, como não tem o de os confiscar em seu proveito. Prodigalidade não é generosidade: é, frequentemente, uma modalidade do egoísmo. Um, que despenda a mancheias o ouro de que disponha, para satisfazer a uma fantasia, talvez não dê um centavo para prestar um serviço. O desapego aos bens terrenos consiste em apreciá-los no seu justo valor, em saber servir-se deles em benefício dos outros e não apenas em benefício próprio, em não sacrificar por eles os interesses da vida futura, em perdê-los sem murmurar, caso apraza a Deus retirá-los (Larcodaire, 1863).[3]

Então, não devemos ser nem avarentos e nem pródigos. Quem muito abusa do que possui, acaba por ficar sem nada: pobre. Seja na existência em que abusou ou em existência futura.

Que sejamos bons usufrutuários do que temos e resignados, mas sem deixar de lutar por melhoria, quando nos faltar tudo.

Que Deus nos ajude.

Domício.


[1] Vide em O Livro dos Espíritos, Parte Quarta – Cap. II, Questão 1009 (Assim, as penas impostas jamais o são por toda a eternidade?)
[2] Vide dissertação de A. Kardec, na íntegra, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVI (Não se pode servir a Deus e a Mamon), Item 7 (Utilidade providencial da riqueza. Provas da riqueza e da miséria).
[3] Vide dissertação do Espírito Lacordaire, na íntegra, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVI (Não se pode servir a Deus e a Mamon), Item 14 (Desprendimento dos bens terrenos).

domingo, 21 de abril de 2024

CÉU COM CÉU

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CÉU COM CÉU

Mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consomem, e onde os ladrões não penetram nem roubam.

Jesus (MATEUS, 6:20).

Em todas as fileiras cristãs se misturam ambiciosos de recompensa que presumem encontrar, nessa declaração de Jesus, positivo recurso de vingança contra todos aqueles que, pelo trabalho e pelo devotamento, receberam maiores possibilidades na Terra.

O que lhes parece confiança em Deus é ódio disfarçado aos semelhantes.

Por não poderem açambarcar os recursos financeiros à frente dos olhos, lançam pensamentos de critica e rebeldia, aguardando o paraíso para a desforra desejada.

Contudo, não será por entregar o corpo ao laboratório da natureza que a personalidade humana encontrará, automaticamente, os planos da Beleza resplandecente.

Certo, brilham santuários imperecíveis nas esferas sublimadas, mas é imperioso considerar que, nas regiões imediatas à atividade humana, ainda encontramos imensa cópia de traças e ladrões, nas linhas evolutivas que se estendem além do sepulcro.

Quando o Mestre nos recomendou ajuntássemos tesouros no céu, aconselhava-­nos a dilatar os valores do bem, na paz do coração. O homem que adquire fé e conhecimento, virtude e iluminação, nos recessos divinos da consciência, possui o roteiro celeste. Quem aplica os princípios redentores que abraça, acaba conquistando essa carta preciosa; e quem trabalha diariamente na prática do bem, vive amontoando riquezas nos Cimos da Vida.

Ninguém se engane, nesse sentido.

Além da Terra, fulgem bênçãos do Senhor nos páramos celestiais; entretanto, é necessário possuir luz para percebê-­las.

É da Lei que o Divino se identifique com o que seja Divino, porque ninguém contemplará o céu se acolhe o inferno no coração.

NOSSA REFLEXÃO

Emmanuel, a partir de Lucas que nos apresenta uma fala de Jesus, nos lembra da necessidade de nos vigiarmos quanto a querer, nesse mundo, o que outras pessoas detém para si.

No plano espiritual os valores materiais não têm valor nenhum. O que cada um de nós detemos, devolveremos involuntariamente ao deixar o corpo físico, na volta a pátria espiritual. E lá, os valores que serão contados serão aquilo que, de fato, passamos a ter, em termos de valores morais na passagem efêmera pela vida física.

Emmanuel, nos lembra muito bem sobre isso na mensagem intitulada Esmola, grafada no livro Fonte Viva (Chico Xavier – FEB): “Dar o que temos é diferente de dar o que detemos”. Entendemos que isto é o que “[...] nem a traça nem a ferrugem os consomem, e onde os ladrões não penetram nem roubam” (MATEUS, 6:20).

Isto nos faz pensar sobre o que precisamos dar mais valor enquanto encarnados. Decerto que não são os bens materiais. O Cristo nos ensinou, orientando aos discípulos como deveriam se portar na divulgação do Seu Evangelho: “Não vos afadigueis por possuir ouro, ou prata, ou qualquer outra moeda em vossos bolsos” (MATEUS, 10:9), indicando-lhes que o Evangelho deveria sobrepor todos as facilidades materiais que quem os recebessem poderiam lhes dar.

Sobre isso, A. Kardec nos esclarece:

A par do sentido próprio, essas palavras guardam um sentido moral muito profundo. Proferindo-as, ensinava Jesus a seus discípulos que confiassem na Providência. Ademais, eles, nada tendo, não despertariam a cobiça nos que os recebessem. Era um meio de distinguirem dos egoístas os caridosos.[1]

Na volta ao plano espiritual, isto, também, é o que nos distinguirá dos demais Espíritos ainda presos aos bens materiais.

Que tenhamos a certeza que além das esmolas materiais, que constituem o que detemos, que distribuímos no dia a dia de nossas vidas, cujo ato é louvável, há que nos empenharmos em exercer a caridade moral, distribuindo o que de fato temos, enquanto Espíritos encarnados. Este é maior tesouro que podemos acumular.

Que Deus nos ajude.

Domício.



[1] Em o Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXV (Buscai e Achareis), Item 11.