domingo, 17 de setembro de 2023

O ESPINHO

 

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O ESPINHO

E para que me não exaltasse pelas excelências das revelações, foi­-me dado um espinho na carne, mensageiro de Satanás.

Paulo (II CORÍNTIOS, 12:7).

Atitude sumamente perigosa louvar o homem a si mesmo, presumindo desconhecer que se encontra em plano de serviço árduo, dentro do qual lhe compete emitir diariamente testemunhos difíceis. É posição mental não somente ameaçadora, quanto falsa, porque lá vem um momento inesperado em que o espinho do coração aparece.

O discípulo prudente alimentará a confiança sem bazófia, revelando­se corajoso sem ser metediço. Reconhece a extensão de suas dívidas para com o Mestre e não encontra glória em si mesmo, por verificar que toda a glória pertence a Ele mesmo, o Senhor.

Não são poucos os homens do mundo, invigilantes e inquietos, que, após receberem o incenso da multidão, passam a curtir as amarguras da soledade; muitos deles se comprazem nos galarins da fama, qual se estivessem convertidos em ídolos eternos, para chorarem, mais tarde, a sós, com o seu espinho ignorado nos recessos do ser.

Por que assumir posição de mestre infalível, quando não passamos de simples aprendizes?

Não será mais justo servir ao Senhor, na mocidade ou na velhice, na abundância ou na escassez, na administração ou na subalternidade, com o espírito de ponderação, observando os nossos pontos vulneráveis, na insuficiência e imperfeição do que temos sido, até agora?

Lembremo­-nos de que Paulo de Tarso esteve com Jesus pessoalmente; foi indicado para o serviço divino em Antioquia pelas próprias vozes do Céu; lutou, trabalhou e sofreu pelo Evangelho do Reino e, escrevendo aos coríntios, já envelhecido e cansado, ainda se referiu ao espinho que lhe foi dado para que se não exaltasse no sublime trabalho das revelações.

NOSSA REFLEXÃO

Emmanuel nos apresenta uma reflexão baseada numa experiência que Paulo de Tarso contou em sua segunda carta aos coríntios (PAULO, II CORÍNTIOS, 12: 1-19). Ele havia passado por uma experiência de arrebatação aos planos superiores da espiritualidade. Esclarece, então, aos coríntios, que, para o fato ocorrido não servir de motivo de própria exaltação, Deus lhe adoeceu com um espinho, tornando-o dependente de Sua assistência.

Emmanuel, então, discorre sobre a necessidade de sermos humildes a despeito de qualquer superioridade de conhecimento em relação a quem falamos.

Como Emmanuel nos esclarece, somos todos e todas infalíveis. Portanto, sujeito às ocorrências que nos deixam dependente dos cuidados de terceiros. Ele nos indaga: “Por que assumir posição de mestre infalível, quando não passamos de simples aprendizes?”

O correto, segundo o companheiro inseparável de Chico Xavier, é trabalharmos em todas as fases da vida, de modo humilde, no sentido de sempre estarmos prontos para servir e aprendermos.

O Espírito Erasto, da Codificação Espírita, no anima a sermos os verdadeiros trabalhadores da última hora:

Arme-se a vossa falange de decisão e coragem! Mãos à obra! o arado está pronto; a terra espera; arai! Ide e agradecei a Deus a gloriosa tarefa que Ele vos confiou; mas atenção! entre os chamados para o Espiritismo muitos se transviaram; reparai, pois, vosso caminho e segui a verdade. Pergunta. – Se, entre os chamados para o Espiritismo, muitos se transviaram, quais os sinais pelos quais reconheceremos os que se acham no bom caminho? Resposta. – Reconhecê-los-eis pelos princípios da verdadeira caridade que eles ensinarão e praticarão. Reconhecê-los-eis pelo número de aflitos a que levem consolo; reconhecê-los-eis pelo seu amor ao próximo, pela sua abnegação, pelo seu desinteresse pessoal; reconhecê-los-eis, finalmente, pelo triunfo de seus princípios, porque Deus quer o triunfo de sua lei; os que seguem sua lei, esses são os escolhidos e Ele lhes dará a vitória; mas Ele destruirá aqueles que falseiam o espírito dessa lei e fazem dela degrau para contentar sua vaidade e sua ambição (grifos nossos).[1]

 

Entendemos, assim, que não devemos, como Paulo esclarece, na 2ª Carta aos Coríntios, corroborado pelo Espírito Erasto, que não devemos nos vangloriar de ter recebido uma missão evangélica, considerando os potenciais da escrita e da fala que adquirimos ao longo de nossa existência espiritual, que nunca foi de uma forma meramente autodidata. Pelo contrário, Paulo disse aos coríntios: “[...] agora, sinto-me feliz de me gloriar de ser tão fraco; estou feliz em ser uma demonstração viva do poder de Cristo, em vez de alardear meu próprio poder e meus talentos.” (PAULO, II Coríntios, 12: 9).

Que Deus nos ajude a sermos um verdadeiro obreiro do Senhor, como qualifica o Espírito de Verdade:

Deus procede, neste momento, ao censo dos seus servidores fiéis e já marcou com o dedo aqueles cujo devotamento é apenas aparente, a fim de que não usurpem o salário dos servidores animosos, pois aos que não recuarem diante de suas tarefas é que Ele vai confiar os postos mais difíceis na grande obra da regeneração pelo Espiritismo. Cumprir-se-ão estas palavras: “Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros no Reino dos Céus.”[2]



[1] Vide a íntegra da mensagem do Espírito Erasto em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XX, Item 4 (Missão dos Espíritas).
[2] Vide a íntegra da mensagem do Espírito de Verdade em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XX, Item 5 (Os Obreiros do Senhor).

domingo, 10 de setembro de 2023

SEPARAÇÃO

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SEPARAÇÃO

Todavia, digo-­vos a verdade: a vós convém que eu vá.

Jesus (JOÃO, 16:7).

Semelhante declaração do Mestre ressoa em nossas fibras mais íntimas.

Ninguém sabia amar tanto quanto Ele, contudo, era o primeiro a reconhecer a conveniência da partida, em favor dos companheiros.

Que teria acontecido se Jesus teimasse em permanecer?

Provavelmente, as multidões terrestres teriam acentuado as tendências egoísticas, consolidando-­as.

Porque o divino Amigo havia buscado Lázaro no sepulcro, ninguém mais se resignaria à separação pela morte. Por se haverem limpado alguns leprosos ninguém aceitaria, de futuro, a cooperação proveitosa das moléstias físicas. O resultado lógico seria a perturbação geral no mecanismo evolutivo.

O Mestre precisava ausentar-­se para que o esforço de cada um se fizesse visível no plano divino da obra mundial. De outro modo, seria perpetuar a indolência de uns e o egoísmo de outros.

Sob diferentes aspectos, repete-­se, diariamente, a grande hora da família evangélica em nossos agrupamentos afins.

Quantas vezes surgirá a viuvez, a orfandade, o sofrimento da distância, a perplexidade e a dor por elevada conveniência ao bem comum?

Recordai a presente passagem do Evangelho, quando a separação vos faça chorar, porque se a morte do corpo é renovação para quem parte é também vida  nova para os que ficam.

NOSSA REFLEXÃO

Emmanuel, nesta página, nos faz relembrar do desapego que devemos desenvolver em nós, no sentido de nos libertar de sentimento de indispensabilidade na vida das pessoas.

Nossa vida espiritual sempre foi um ir e vir para aprendermos a contribuir quando de fato somos chamados a fazê-lo.

O Cristo deveria voltar. Já tinha dado, pessoalmente, o recado que programou vir deixar pra nós. Para Jesus, era necessário Ele ir para, no futuro, o Espírito de Verdade (JOÃO, 16:12 a 13)[1] vir para esclarecer tudo que Ele não pode dizer de modo aprofundado. Por isso se utilizou das parábolas.[2]

Então, como Jesus, num sentido de menor importância geral, todos e todas nós partiremos para encontrarmos sentido em tudo que fizemos, como também, para quem é ou serão participantes de uma convivência comum, em especial os e as familiares.

Espírito de renovação é o que Emmanuel nos aconselha nessa mensagem, para quem parte e para quem fica. Como ele, mesmo diz: “Recordai a presente passagem do Evangelho, quando a separação vos faça chorar, porque se a morte do corpo é renovação para quem parte é também vida nova para os que ficam”.

O Cristo fez entender aos seus discípulos que precisavam, a partir de sua partida, a fazer um movimento de crescimento com base na convivência com Ele. Contudo, não indicou que os deixaria órfãos. Prometeu a vinda do Consolador para ampliar os conhecimentos.

Assim, é todo movimento educativo. Quem aprende alguma coisa, deve experimentar o seu aprendizado sem a presença do Mestre.

Que saibamos fazer valer os esforços dos nossos mestres e das nossas mestras em favor de nossa aprendizagem, experimentando momentos do fazer sem suas presenças. Assim, aprendemos mais e ensinamos os e as que convivem conosco ou, mesmo, são usufrutuários de nosssa convivência.

Que Deus nos ajude.

Domício.

Ps.: Comparitilho uma poesia de L. Angel sobre A Despedida Inexorável.


A DESPEDIDA INEXORÁVEL

L. Angel

A despedida é triste,
Mas a ida é inevitável.
Necessário é que se liste
Os benefícios da inexorável.

Quem esteve entre nós,
Há de voltar ou iremos reencontrar.
Devemos desatar os nós,
Mesmo sentindo uma lágrima rolar.

Um dia iremos também.
Preparemos os queridos para a partida,
Pois isso, para nós, deverá ser um bem.

Somos todos Espíritos imortais.
Apesar da despedida ser sentida,
O que importa mais que os créditos espirituais?


[1] Vide O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. VI – O Cristo Consolador.
[2] Alla Kardec, nos traz uma reflexão sobre o uso de parábolas por Jesus (Mateus 13:10 a 15) em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXIV, Item 4: “É de causar admiração diga Jesus que a luz não deve ser colocada debaixo do alqueire, quando Ele próprio constantemente oculta o sentido de suas palavras sob o véu da alegoria, que nem todos podem compreender. Ele se explica, dizendo a seus apóstolos: ‘Falo-lhes por parábolas, porque não estão em condições de compreender certas coisas. Eles veem, olham, ouvem, mas não entendem. Fora, pois, inútil tudo dizer-lhes, por enquanto. Digo-o, porém, a vós, porque dado vos foi compreender estes mistérios’.”

domingo, 3 de setembro de 2023

NÃO FALTA

 

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NÃO FALTA

E, se os deixar ir em jejum para suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns deles vieram de longe.

Jesus (MARCOS, 8:3).

A preocupação de Jesus pela multidão necessitada continua viva, através do tempo.

Quantas escolas religiosas palpitam no seio das nações, ao influxo do amor providencial do Mestre divino?

Pode haver homens perversos e desesperados que perseveram na malícia e na negação, mas não se vê coletividade sem o socorro da fé. Os próprios selvagens recebem postos de assistência do Senhor, naturalmente de acordo com a rusticidade de suas interpretações primitivistas. Não falta alimento do Céu às criaturas. Se alguns espíritos se declaram descrentes da paternidade de Deus, é que se encontram incapazes ou enfermos pelas ruínas interiores a que se entregaram.

Jesus manifesta invariável preocupação em nutrir o espírito dos tutelados, através de mil modos diferentes, desde a taba do indígena às catedrais das grandes metrópoles.

Nesses postos de socorro sublime, o homem aprende, em esforço gradativo, a alimentar-se espiritualmente, até trazer a igreja ao próprio lar, transportando-a do santuário doméstico para o recinto do próprio coração.

Pouca gente medita na infinita misericórdia que serve, no mundo, à mesa edificante das idéias religiosas.

Inclina-se o Mestre ao bem de todos os homens. Cheio de abnegação e amor, sabe alimentar, com recursos específicos, o ignorante e o sábio, o indagador e o crente, o revoltado e o infeliz. Mais que ninguém, compreende Jesus que, de outro modo, as criaturas cairiam, exaustas, nos imensos despenhadeiros que marginam a senda evolutiva.

NOSSA REFLEXÃO

Belíssima página de nosso querido Espírito Emmanuel. Mostra a preocupação do Mestre com todos que estão a caminho. Jesus se preocupava não só com o alimento espiritual que todos e todas mostravam querer se alimentar. Mas quem os procurava, em geral, eram os pobres e estropiados de toda sorte. Conjunto da humanidade mais vulnerável da sociedade, particularmente os que tinham fome. Desse modo, o Cristo, sabendo que a vida continuava depois daquele momento pra aquelas pessoas, como sabia que, para aquele momento educativo que se estava vivendo, o corpo precisava estar alimentado de nutrientes para que o Espírito raciocinasse, Ele se preocupava em alimentar a turba que o procurava.

Nesse contexto, evidenciamos dois tipos de caridade: a caridade moral e a caridade material. Somos todos movidos a ajudar as pessoas que nos batem  porta do coração, seja na rua, seja nos transporte`s coletivos, seja no trabalho. Sempre tem alguém com uma necessidade. Mas a grande massa é daqueles que passam fome. Então, mesmo quando formos, num átimo de caridade moral, levar a luz da Doutrina do Cristo, enquanto espíritas, nas atividades assistenciais, lembremos quem estarão dispostos a nos ouvir: os que passam necessidades materiais. É o momento que se valem pra se fortalecerem moralmente e levar algo para casa, tendo em vista os que os esperam: crianças e idosos(as). Não podem voltar sem o pão material, como Jesus nos ensinou.

O Espírito Irmã Rosália, exalta a caridade moral, contudo deixa claro que a material não pode ser esquecida, dado que uma está intrinsecamente ligada a outra. Como ela nos ensina:

A caridade moral consiste em se suportarem umas às outras as criaturas e é o que menos fazeis nesse mundo inferior, onde vos achais, por agora, encarnados. Grande mérito há, crede-me, em um homem saber calar-se, deixando fale outro mais tolo do que ele. É um gênero de caridade isso. [...] Essa caridade, no entanto, não deve obstar à outra.[1]

 

Quando discorremos sobre a caridade material, estamos falando também da beneficência que é estimulada pelos Espíritos da Codificação Espírita, como nos estimula o Espírito Adolfo, bispo de Argel:

Compreendei as obrigações que tendes para com os vossos irmãos! Ide, ide ao encontro do infortúnio; ide em socorro, sobretudo, das misérias ocultas, por serem as mais dolorosas! Ide, meus bem-amados, e tende em mente estas palavras do Salvador: “Quando vestirdes a um destes pequeninos, lembrai-vos de que é a mim que o fazeis!”[2]

 

O Cristo sempre teve cuidado com os mais pequeninos, como os pobres e estropiados, como revela a seguinte passagem de Lucas (14:12 a 15):

Disse também àquele que o convidara: “Quando derdes um jantar ou uma ceia, não convideis nem os vossos amigos, nem os vossos irmãos, nem os vossos parentes, nem os vossos vizinhos que forem ricos, para que em seguida não vos convidem a seu turno e assim retribuam o que de vós receberam. Quando derdes um festim, convidai para ele os pobres, os estropiados, os coxos e os cegos. E sereis ditosos por não terem eles meios de vo-lo retribuir, pois isso será retribuído na ressurreição dos justos.”


Nesse contexto das necessidades humanas, Emmanuel nos lembra, que “inclina-se o Mestre ao bem de todos os homens. Cheio de abnegação e amor, sabe alimentar, com recursos específicos, o ignorante e o sábio, o indagador e o crente, o revoltado e o infeliz.” Daí, quando se dirigia às massas ou mesmo aos sacerdotes ou fariseus que se apresentavam como conhecedores da Lei, falava por parábolas (MATEUS, 13:10 a 15)[3], sem deixar de destacar, para os que tinham algum entendimento sobre as escrituras, alguns trechos delas.

Que tenhamos o discernimento de nos conduzir de modo cada vez mais semelhante ao que o Cristo nos ensinou.

Que assim, seja.

Domício.


[1] Vide na íntegra a dissertação de Irmã Rosália sobre A caridade material e a caridade moral em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIII, Item 9.
[2] Vide na íntegra a dissertação do Espírito Adolfo, bispo de Argel sobre A caridade material e a caridade moral em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIII, Item 11. 
[3]
Vide sobre esta temática em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XXIV, Item 4.

domingo, 27 de agosto de 2023

CONDIÇÃO COMUM

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CONDIÇÃO COMUM

Imediatamente, o pai do menino, clamando com lágrimas, disse: eu creio, Senhor! Ajuda a minha incredulidade.

Marcos (9:24).

Aquele homem da multidão, em se aproximando de Jesus com o filho enfermo, constitui expressão representativa do espírito comum da humanidade terrestre.

Os círculos religiosos comentam excessivamente a fé em Deus, todavia, nos instantes da tempestade, são escassos os devotos que permanecem firmes na confiança.

Revelam­se as massas muito atentas aos cerimoniais do culto exterior, participam das edificações alusivas à crença, contudo, ante as dificuldades do escândalo, quase toda gente resvala no despenhadeiro das acusações recíprocas.

Se falha um missionário, verifica­se a debandada. A comunidade dos crentes pousa os olhos nos homens falíveis, cegos às finalidades ou indiferentes às instituições. Em tal movimento de insegurança espiritual, sem paradoxo, as criaturas humanas crêem e descrêem, confiando hoje e desfalecendo amanhã.

Somos defrontados, ainda, pelo regime de incerteza de espíritos infantis que mal começam a conceber noções de responsabilidade.

Felizes, pois, aqueles que, à maneira do pai necessitado, se acercarem do Cristo, confessando a precariedade da posição íntima. Assim, em afirmando a crença com a boca, pedirão, ao mesmo tempo, ajuda para a sua falta de fé, atestando com lágrimas a própria miserabilidade.

NOSSA REFLEXÃO

Esta passagem evangélica, que Emmanuel utiliza para fazer esta página, se encontra em Marcos (9:14-29), Mateus (17:14-21) e Lucas (9:37-42), que trata da criança subjugada, corporalmente, desde a infância. O Pai, desesperado, procurou os discípulos de Jesus pra que livrassem a criança do Espírito subjugador.

Contudo, os discípulos não lograram êxito. Então, o Pai da criança recorreu a Jesus que o interrogou sobre o histórico da criança. Contando, o Pai, suplicou que Jesus curasse a criança, caso Ele pudesse. Jesus, então, disse: “Todas as coisas são possíveis ao que crê” (MARCOS, 9:23). No final do epsódio, os discípulos perguntaram a Jesus por que não conseguiram expulsar o Espírito. Jesus lhes respondeu: “Este gênero de espírito de nenhum modo pode sair, senão com oração” (MARCOS, 9:29).[1]

Assim, o Mestre, ensinava como deveríamos proceder nas reuniões mediúnicas nas casas espíritas, particularmente nos casos de subjugação.

O caso específico da passagem evangélica se trata de uma subjugação corporal, que significa, conforme A. Kardec, “[...] uma constrição que paralisa a vontade daquele que a sofre e o faz agir a seu mau grado. Numa palavra: o paciente fica sob um verdadeiro jugo”.[2]. A subjugação (entendida por muitos, como uma possessão[3]) pode ser moral ou corporal. A. Kardec nos diz quando ocorre a corporal:

A subjugação corporal tira muitas vezes ao obsidiado a energia necessária para dominar o mau Espírito. Daí o tornar-se precisa a intervenção de um terceiro, que atue pelo magnetismo ou pelo império da sua vontade. Em falta do concurso do obsidiado, essa terceira pessoa deve tomar ascendente sobre o Espírito; porém, como este ascendente só pode ser moral, só a um ser moralmente superior ao Espírito é dado assumi-lo e seu poder será tanto maior quanto maior for a sua superioridade moral, porque, então, se impõe àquele, que se vê forçado a inclinar-se diante dele. Por isso é que Jesus tinha tão grande poder para expulsar aqueles a que, naquela época, se chamava demônio, isto é, os maus Espíritos obsessores.[4]


Decorre disto, que, para conduzir um Espírito que subjuga, moral ou corporalmente uma pessoa, é necessário que tenhamos uma moral suficiente (desde de casa, como no trabalho, no trânsito ou movimentos outros) para tratar o obsessor com caridade. Desse modo, torna-se irresistível qualquer orientação no sentido de seu bem como do que ele subjuga.

Oração e fé, é o que precisamos nesses momentos, tanto aquele já é experiente nos estudos da Doutrina, como aquele que se assemelha ao Pai desesperado que procurou Jesus, humildemente, confessando a fragilidade de sua fé e pedindo paciência para construí-la.

Desse modo, é importante ressalvar, conforme Emmanuel, nessa mensagem que:

Felizes, pois, aqueles que, à maneira do pai necessitado, se acercarem do Cristo, confessando a precariedade da posição íntima. Assim, em afirmando a crença com a boca, pedirão, ao mesmo tempo, ajuda para a sua falta de fé, atestando com lágrimas a própria miserabilidade.

 

Que Deus nos ajude.

Domício.


[1] DIAS, Haroldo Dutra (Trad.). O Novo Testamento. 1. ed. 2. imp. Brasília: FEB, 2013.
[2] Vide em O Livro dos Médiuns, Segunda Parte – Cap. XXIII (Da obsessão), Item 240.
[3] Conforme A. Kardec, em O Livro dos Médiuns, Segunda Parte – Cap. XXIII (Da obsessão), Item 241, “dava-se outrora o nome de possessão ao império exercido por maus Espíritos, quando a influência deles ia até a aberração das faculdades da vítima. A possessão seria, para nós, sinônimo da subjugação. Por dois motivos deixamos de adotar esse termo: primeiro, porque implica a crença de seres criados para o mal e perpetuamente votados ao mal, enquanto não há senão seres mais ou menos imperfeitos, os quais todos podem melhorar-se; segundo, porque implica igualmente a ideia do apoderamento de um corpo por um Espírito estranho, de uma espécie de coabitação, ao passo que o que há é apenas constrangimento. A palavra subjugação exprime perfeitamente a ideia. Assim, para nós, não há possessos, no sentido vulgar do termo, há somente obsidiados, subjugados e fascinados” (grifos nossos).
[4]
Vide em O Livro dos Médiuns, Segunda Parte – Cap. XXIII (Da obsessão), Item 251.

domingo, 20 de agosto de 2023

PECADO E PECADOR

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PECADO E PECADOR

Amado, não sigas o mal, mas o bem. Quem faz o bem, é de Deus; mas quem faz o mal, não tem visto a Deus.

III João (11).

A sociedade humana não deveria operar a divisão de si própria, como sendo um campo em que se separam bons e maus, mas sim viver qual grande família em que se integram os espíritos que começam a compreender o Pai e os que ainda não conseguiram pressenti­-lo.

Claro que as palavras “maldade” e “perversidade” ainda comparecerão, por vastíssimos anos, no dicionário terrestre, definindo certas atitudes mentais inferiores; todavia, é forçoso convir que a questão do mal vai obtendo novas interpretações na inteligência humana.

O evangelista apresenta conceito justo. João não nos diz que o perverso está exilado de nosso Pai, nem que se conserva ausente da Criação. Apenas afirma que “não tem visto a Deus”.

Isto não significa que devamos cruzar os braços, ante as ervas venenosas e zonas pestilenciais do caminho; todavia, obriga­-nos a recordar que um lavrador não retira espinheiros e detritos do solo, a fim de convertê­-lo em precipícios.

Muita gente acredita que o “homem caído” é alguém que deve ser aniquilado. Jesus, no entanto, não adotou essa diretriz. Dirigindo-­se, amorosamente, ao pecador, sabia­-se, antes de tudo, defrontado por enfermo infeliz, a quem não se poderia subtrair as características de eternidade.

Lute­-se contra o crime, mas ampare-­se a criatura que se lhe enredou nas malhas tenebrosas.

O Mestre indicou o combate constante contra o mal, contudo, aguarda a fraternidade legítima entre os homens por marco sublime do Reino celeste.

NOSSA REFLEXÃO

Infelizmente, estamos vivendo no que poderíamos dizer, fim dos tempos, onde a maldade impera. Sabemos que o nosso planeta, categorizado como “[...] mundos de expiação e provas, onde domina o mal [...]” está passando por período de evolução pra ocupar a categoria de “[...] mundos de regeneração, nos quais as almas que ainda têm o que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da luta [...]” (grifos nossos)[1].

Sobre isso, o Espirito Santo Agostinho, nos esclarece:

A Terra, conseguintemente, oferece um dos tipos de mundos expiatórios, cuja variedade é infinita, mas revelando todos, como caráter comum, o servirem de lugar de exílio para Espíritos rebeldes à Lei de Deus. Esses Espíritos têm aí de lutar, ao mesmo tempo, com a perversidade dos homens e com a inclemência da Natureza, duplo e árduo trabalho que simultaneamente desenvolve as qualidades do coração e as da inteligência. É assim que Deus, em sua bondade, faz que o próprio castigo redunde em proveito do progresso do Espírito.[2]

Então, a humanidade está num luta constante para que os princípios de justiça e direitos humanos sejam considerados nas relações humanas. Os meios de comunicação não nos deixam sossegados quanto ao que ocorre no dia a dia nas cidades, estados e países. E é triste ver como as informações nos chegam a uma velocidade estupenda. Cabe a nós receber, como cristãos, o que nos chega, com paciência, tolerância e misericórdia, principalmente tendo ciência que há um Lei que rege as relações entre os Espíritos, filhos do mesmo Criador. Contudo, a sensação imediata é de tristeza e às vezes de indignação.

Mas João orienta vermos o que existe e seguir numa outra direção, pois para ele, “quem faz o bem, é de Deus; mas quem faz o mal, não tem visto a Deus” (III João, 11).

Entendemos, por nossa vez, que o mal deve ser combatido em favor dos que sofrem o mal praticado por quem o faz. E isto, não se trata apenas de um ato religioso, mas político-social, também. Precisamos trabalhar, em todas as frentes em que o cidadão está situado, como a religiosa (atitude espiritual diante do mal) e a político-social (atitude de enfrentamento diante do mal, cobrando das autoridades leis protetivas em favor dos mais vulneráveis da sociedade).

Nessa direção, Emmanuel encerra essa mensagem, com a seguinte orientação: “Lute-­se contra o crime, mas ampare-­se a criatura que se lhe enredou nas malhas tenebrosas. O Mestre indicou o combate constante contra o mal, contudo, aguarda a fraternidade legítima entre os homens por marco sublime do Reino celeste”.

Então, devemos entender que o mal não deve ser combatido com o mal, mas com educação, respeito, com fraternidade aos que não tiveram acesso à educação e são cooptados pelos que dominam, de modo maléfico, uma comunidade. O isolamento, tanto dos que são dominados pelo mal, como dos que comandam uma coletividade, seja de qualquer área, inclusive a política, dever ser educativo, para que possam retornar à sociedade melhorados e com condições de contribuir com a coletividade. Tudo isso com base em leis justas que devem se aproximar, cada vez mais, da de Deus.

Que Deus nos ajude, nesse processo.

Domício.


[1] Vide dissertação, na íntegra, de A. Kardec sobre Diferentes categorias de mundos habitados em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. III, Item 3.
[2]
Vide mensagem de Santo Agostinho em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. III (Instruções dos Espíritos), Item 15.

sábado, 12 de agosto de 2023

SUSPENSÃO TRABALHO EM 13/08/2023

 Prezados e prezadas leitores(as) desse blog.

Por motivo de pessoais, não poderei fazer a Nossa Reflexão, no dia de hoje.

Continuamos o trabalho no próximo.

Domício.

domingo, 6 de agosto de 2023

MONTURO

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MONTURO

Nem presta para a terra, nem para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Jesus (LUCAS, 14:35).

Segundo deduzimos, Jesus emprestou significação ao monturo. Terra e lixo, nesta passagem, revestem-se de valor essencial.

Com a primeira, realizaremos a semeadura, com o segundo é possível fazer a adubação, onde se faça necessária.

Grande porção de aprendizes, imitando a atitude dos fariseus antigos, foge ao primeiro encontro com as “zonas estercorárias” do próximo; entretanto, tal se verifica porque lhes desconhecem as expressões proveitosas.

O Evangelho está cheio de lições, nesse setor do conhecimento iluminativo.

Se José da Galiléia ou Maria de Nazaré simbolizam terras de virtudes fartas, o mesmo não sucede aos apóstolos que, a cada passo, necessitam recorrer à fonte das lágrimas que escorrem do monturo de remorsos e fraquezas, propriamente humanos, a fim de fertilizarem o terreno empobrecido de seus corações. De quanto adubo dessa natureza precisaram Madalena e Paulo, por exemplo, até alcançarem a gloriosa posição em que se destacaram?

Transformemos nossas misérias em lições.

Identifiquemos o monturo que a própria ignorância amontoou em torno de nós mesmos, convertamo-lo em adubo de nossa “terra íntima” e teremos dado razoável solução ao problema de nossos grandes males.

NOSSA REFLEXÃO

Emmanuel nos faz lembrar que somos frutos de nosso passado, geralmente delituoso. Então, este iluminado Espírito nos faz pensar que, mesmo na condição de  endividados com a Lei de Deus, devemos fazer dos efeitos de nossas mazelas passada, na presente vida, um adubo.

Enquanto não transformarmos as diversas capas (monturos) acumuladas em nós ao longo de nossa existência espiritual, diferente daquela nupcial que foi cobrado pelo Senhor anfitrião, na Parábola do Festim das Bodas, em matéria sutil, não seremos dignos de participar do Festim das Bodas (MATEUS, 21:1-14) ou mesmo entrarmos no Reinos dos Céus.

Vejamos o que A. Kardec pronuncia a respeito dessa parábola que estabelece condições pra obter o ingresso ao festim:

No entanto, não basta a ninguém ser convidado; não basta dizer-se cristão, nem sentar-se à mesa para tomar parte no banquete celestial. É preciso, antes de tudo e sob condição expressa, estar revestido da túnica nupcial, isto é, ter puro o coração e cumprir a lei segundo o espírito. Ora, a lei toda se contém nestas palavras: Fora da caridade não há salvação. Entre todos, porém, que ouvem a palavra divina, quão poucos são os que a guardam e a aplicam proveitosamente! Quão poucos se tornam dignos de entrar no Reino dos Céus! Eis por que disse Jesus: “Chamados haverá muitos; poucos, no entanto, serão os escolhidos.”[1]

Para atingirmos, então, o ingresso ao Reino dos Céus, devemos aproveitar o que fomos (conscientes do que nos tornamos, enquanto Espírito encarnados, com todos os achaques provenientes do perispírito) e desejarmos ser diferente, fazendo nossa reforma íntima, para sermos chamados e escolhidos para a grande festa de nossa regeneração e elevação..

Os achaques a que nos reportamos acima, se traduzem em doenças regeneradoras do perispírito que é o corpo do Espírito. Elas devem servir de motivo pra nos reconstruirmos enquanto Espíritos. Desse modo, nada de muitas lamúrias, mas agradecimentos pelo que passamos, lembrando que se temos condições financeira para tratar, já é uma grande benção, quando a maioria não tem e sofrem mais que aqueles aforturnados que tratam as doenças de modo mais confortável.

Sobre isso, Emmanuel se expressa como a seguir, falando para aqueles que se encontram doentes: “Guarda lealdade ao ideal superior que te ilumina o coração e permanece convicto de que se cultivas a oração da fé viva, em todos os teus passos, aqui ou além, o Senhor te levantará”[2].

E para complementar esse pensamento, se pronuncia, nesta mensagem, que ora refletimos, nos estimulando: “Transformemos nossas misérias em lições. Identifiquemos o monturo que a própria ignorância amontoou em torno de nós mesmos, convertamo-lo em adubo de nossa “terra íntima” e teremos dado razoável solução ao problema de nossos grandes males”.

Que Deus nos ajude.

Domício.


[1] Vide dissertação, na íntegra, de A. Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVIII, Item 2.
[2]
Vide mensagem, intitulada Estás Doente?, na íntegra, no livro Fonte Viva, seguida de nossa reflexão.