domingo, 24 de novembro de 2024

COMBATE INTERIOR

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COMBATE INTERIOR

Tendo o mesmo combate que já em mim tendes visto e agora ouvis estar em mim.

Paulo (FILIPENSES, 1:30).

Em plena juventude, Paulo terçou armas contra as circunstâncias comuns, de modo a consolidar posição para impor-se no futuro da raça. Pelejou por sobrepujar a inteligência de muitos jovens que lhe foram contemporâneos, deixou colegas e companheiros distanciados. Discutiu com doutores da Lei e venceu-os.

Entregou-se à conquista de situação material invejável e conseguiu-a. Combateu por evidenciar-se no tribunal mais alto de Jerusalém e sobrepôs-se a velhos orientadores do povo escolhido. Resolveu perseguir aqueles que interpretava por inimigos da ordem estabelecida e multiplicou adversários em toda parte. Feriu, atormentou, complicou situações de amigos respeitáveis, sentenciou pessoas inocentes a inquietações inomináveis, guerreou pecadores e santos, justos e injustos...

Surgiu, contudo, um momento em que o Senhor lhe convoca o espírito a outro gênero de batalha – o combate consigo mesmo.

Chegada essa hora, Paulo de Tarso cala-se e escuta...

Quebra-se-lhe a espada nas mãos para sempre.

Não tem braços para hostilizar e sim para ajudar e servir.

Caminha, modificado, em sentido inverso. Ao invés de humilhar os outros, dobra a própria cerviz.

Sofre e aperfeiçoa-se no silêncio, com a mesma disposição de trabalho que o caracterizava nos tempos de cegueira.

É apedrejado, açoitado, preso, incompreendido muitas vezes, mas prossegue sempre, ao encontro da divina Renovação.

Se ainda não combates contigo mesmo, dia virá em que serás chamado a semelhante serviço. Ora e vigia, prepara-te e afeiçoa o coração à humildade e à paciência. Lembra-te, meu irmão, de que nem mesmo Paulo, agraciado pela visita pessoal de Jesus, conseguiu escapar.

NOSSA REFLEXÃO

A vida nos oferece as situações mais sofridas para nos por em estado de alerta sobre como estamos preparado para cada situação, de acordo com nossos compromissos cármicos, provacionais e/ou expiatórios.

Emmanuel nos traz o exemplo de Paulo para compreendermos que não devemos nos acomodar tendo em vista o nosso estágio evolutivo. Como se disséssemos: “mas ele era Paulo” ou “só Jesus para suportar tamanha dor”.

Em verdade, nem o Cristo e nem o Paulo esteve entre nós, senão para servirem de exemplo do que significa viver em profundas situações de constrangimento e dor por defender os princípios cristãos.

Jesus nos motivou a seguirmos firmes, diante das dificuldades, quando nos exortou:

Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo. (MATEUS, 11:28 a 30).

Allan Kardec, nos explica o sentido dessa exortação:

Todos os sofrimentos: misérias, decepções, dores físicas, perda de seres amados, encontram consolação na fé no futuro, na confiança na Justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos homens. Sobre aquele que, ao contrário, nada espera após esta vida, ou que simplesmente duvida, as aflições caem com todo o seu peso e nenhuma esperança lhe mitiga o amargor. Foi isso que levou Jesus a dizer: “Vinde a mim todos vós que estais fatigados, que Eu vos aliviarei.” Entretanto, faz depender de uma condição a sua assistência e a felicidade que promete aos aflitos. Essa condição está na lei por Ele ensinada. Seu jugo é a observância dessa lei; mas esse jugo é leve e a lei é suave, pois que apenas impõe, como dever, o amor e a caridade.[1]

Então, diante da dor, nossa ou alheia, devemos manter a esperança em dias melhores. Isto é, devemos vestir o capacete da esperança[2], tendo como motivação a Boa Nova nos deixada pelo Cristo, que foi amplamente explicada pelo Espiritismo, sobre a Sua Coordenação, na figura do Espírito de Verdade.

Que tenhamos fé, esperança e caridade diantes das nossas provas e expiações, bem como diante da dos(as) nossos(as) semelhantes e sigamos combatendo interiormente a nós mesmos, como Paulo o fez.

Que Deus nos ajude.

Domício.

Ps.: Compartilho um diálogo de Paulo com Abigail, contido no livro Paulo e Estêvão (FEB) de Emmanuel.

O que fazer para adquirir a compreensão perfeita dos desígnios do Cristo?
AMA.
Como proceder de modo a se enriquecer na virtude divina?
TRABALHA.
Que providências adotar contra o desânimo destruidor?
ESPERA.
Como conciliar as lições do evangelho com a indiferença dos homens?
PERDOA.

[1] Vide em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. VI, Item 2.

[2] Vide mensagem de Emmanuel grafada no livro Fonte Viva, intitulada Capacete da Esperança, refletida por nós no blog Fonte Viva. 

domingo, 17 de novembro de 2024

GUARDEMOS SAÚDE MENTAL

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GUARDEMOS SAÚDE MENTAL

Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da Terra.

Paulo (COLOSSENSES, 3:2).

O Cristianismo primitivo não desconhecia a necessidade da mente sã e iluminada de aspirações superiores, na vida daqueles que abraçam no Evangelho a renovação substancial.

O trabalho de notáveis pensadores de hoje encontra raízes mais longe.

Sabem agora, os que lidam com os fenômenos mediúnicos, que a morte da carne não impõe as delícias celestiais.

O homem encontra-se, além do túmulo, com as virtudes e defeitos, ideais e vícios a que se consagrava no corpo.

O criminoso imanta-se ao círculo dos próprios delitos, quando se não algema aos parceiros na falta cometida.

O avarento está preso aos bens supérfluos que abusivamente amontoou.

O vaidoso permanece ligado aos títulos transitórios.

O alcoólatra ronda as possibilidades de satisfazer a sede que lhe domina os centros de força.

Quem se apaixona pelas organizações caprichosas do “eu”, gasta longos dias para desfazer as teias de ilusão em que se lhe segrega a personalidade.

O programa antecede o serviço. O projeto traça a realização.

O pensamento é energia irradiante. Espraiemo-lo na Terra e prender-nos- emos, naturalmente, ao chão. Elevemo-lo para o Alto e conquistaremos a espiritualidade sublime.

Nosso espírito residirá onde projetarmos nossos pensamentos, alicerces vivos do bem e do mal. Por isto mesmo, dizia Paulo, sabiamente: – “Pensai nas coisas que são de cima.”

NOSSA REFLEXÃO

Somos, nesse mundo de provas e expiações, bombardeados pelos os mais diversos tipos de pensamentos que nos vêm quando interagimos com as pessoas e acessamos às notícias que circulam diariamente nas mídias sociais.

Desse modo, de acordo com o nosso preparo espiritual, daremos importância ao que mais nos convém, seja de natureza material ou espiritual. Os pensamentos seguem a nossa inclinação espiritual de acordo com o que consumimos de valores morais mediante o acesso aos escritos da religião ou moral que cada um professa. Então, é natural que, ao desencarnarmos, irmos para um plano em que tem Espíritos com os quais guardamos sintonia.

Jesus nos disse em interrogatório ao Pilatos que Ele não era desse mundo (JOÃO, 18:33, 36 e 37).[1] Então, faz sentido a fala de Paulo para pensarmos “[...] nas coisas que são de cima, e não nas que são da Terra”.

Neste contexto, respondendo à questão de nº 89 (alínea a) O pensamento não é a própria alma que se transporta?), de O Livro dos Espíritos, os Espíritos da Codificação Espírita responderam, corroborados por Emmanuel, nesta mensagem: “Quando o pensamento está em alguma parte, a alma também aí está, pois que é a alma que pensa. O pensamento é um atributo.”

Então, somos o que pensamos e pelo que pensamos atraímos para o nosso derredor aqueles que se sintonizam conosco. No plano espiritual, nosso pensamento nos identifica como o que somos.

Na Terra, somos também identificados da mesma forma e conforme o nosso pensamento, se associam a nós Espíritos que guardam sintonia conosco para nos influenciar para o mal ou para o bem.

Sobre isso, respondendo à pergunta de nº 466 de O Livro dos Espíritos (Por que permite Deus que Espíritos nos excitem ao mal?), os Espíritos Superiores responderam:

Os Espíritos imperfeitos são instrumentos próprios a pôr em prova a fé e a constância dos homens na prática do bem. Como Espírito que és, tens que progredir na ciência do infinito. Daí o passares pelas provas do mal, para chegares ao bem. A nossa missão consiste em te colocarmos no bom caminho. Desde que sobre ti atuam influências más, é que as atrais, desejando o mal; porquanto os Espíritos inferiores correm a te auxiliar no mal, logo que desejes praticá-lo. Só quando queiras o mal, podem eles ajudar-te para a prática do mal. Se fores propenso ao assassínio, terás em torno de ti uma nuvem de Espíritos a te alimentarem no íntimo esse pendor. Outros também te cercarão, esforçando-se por te influenciarem para o bem, o que restabelece o equilíbrio da balança e te deixa senhor dos teus atos.

Desse modo, seremos muitos sábeis se tivermos cuidado com as nuvens que nos acompanham diariamente, para não nos associarmos com o que de pior temos nos planos espiritual e físico, dando relevância àquelas que nos impulsionam ao bem.

Que Deus nos ajude.

Domício.



[1] Sobre essa temática, vide O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. II.

domingo, 10 de novembro de 2024

NA REVELAÇÃO DA VIDA

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NA REVELAÇÃO DA VIDA

E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça.

Atos (4:33).

Os companheiros diretos do Mestre divino não estabeleceram os serviços da comunidade cristã sobre princípios cristalizados, inamovíveis. Cultuaram a ordem, a hierarquia e a disciplina, mas amparavam também o espírito do povo, distribuindo os bens da revelação espiritual, segundo a capacidade receptiva de cada um dos candidatos à nova fé.

Negar, presentemente, a legitimidade do esforço espiritista, em nome da fé cristã, é testemunho de ignorância ou leviandade.

Os discípulos do Senhor conheciam a importância da certeza na sobrevivência para o triunfo na vida moral. Eles mesmos se viram radicalmente transformados, após a ressurreição do Amigo celeste, ao reconhecerem que o amor e a justiça regem o ser além do túmulo. Por isso mesmo, atraíam companheiros novos, transmitindo­lhes a convicção de que o Mestre prosseguia vivo e operoso, para lá do sepulcro.

Em razão disso, o ministério apostólico não se dividia tão­somente na discussão dos problemas intelectuais da crença e nos louvores adorativos. Os continuadores do Cristo forneciam, “com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus” e, em face do amor com que se devotavam à obra salvacionista, neles havia “abundante graça”.

O Espiritismo evangélico vem movimentar o serviço divino que envolve  em si, não somente a crença consoladora, mas também o conhecimento indiscutível da imortalidade.

As escolas dogmáticas prosseguirão alinhando artigos de fé inoperante, congelando as idéias em absurdos afirmativos, mas o Espiritismo cristão vem restaurar, em suas atividades redentoras, o ensinamento da ressurreição individual, consagrado pelo Mestre divino, que voltou, Ele mesmo, das sombras da morte, para exaltar a continuidade da vida.

NOSSA REFLEXÃO

Somos imortais. Eis o que devemos exaltar, quando possível, em nossas reuniões voltada para o estudo do Espiritismo ou reuniões familiares ou entre amigos e amigas, se for de interesse de todos e de todas.

O Cristo voltou da morte! Somente Tomé ficou relutante em acreditar. E para isso, Ele reapareceu entres os discípulos e pediu que tocassem em suas chagas.

Então, eles tiveram a motivação maior pra crer e divulgar a imortalidade da alma. O Cristo voltou pra mostrar isso.

É importante ressaltar a orientação espírita que nossa vida não termina com a morte do corpo físico e muito menos iniciou com a fecundação dele.

A partir dessa vida, devemos pensar na vida futura, como sendo o que mais importa na vida física atual.

Este assunto é tomado no 2º capítulo de O Evangelho Segundo o Espiritismo (Meu reino não é deste mundo (JOÃO, 18:33, 36 e 37), pela importância dele.

Sobre isso, A. Kardec expõe, interpretando os versículo citados acima:

Por essas palavras, Jesus claramente se refere à vida futura, que Ele apresenta, em todas as circunstâncias, como a meta que a Humanidade irá ter e como devendo constituir objeto das maiores preocupações do homem na Terra. Todas as suas máximas se reportam a esse grande princípio. Com efeito, sem a vida futura, nenhuma razão de ser teria a maior parte dos seus preceitos morais, donde vem que os que não creem na vida futura, imaginando que Ele apenas falava na vida presente, não os compreendem, ou os consideram pueris.[1]

Assim, é fundamental a Doutrina Espírita para termos em mente que o que fazemos hoje, repercutirá na vida futura. Este conhecimento nos dá a certeza, também, de que a nossa família e círculo de amizades não acabam com morte do corpo físico.

Pois, como diz Emmanuel, nesta mensagem, “o Espiritismo evangélico vem movimentar o serviço divino que envolve  em si, não somente a crença consoladora, mas também o conhecimento indiscutível da imortalidade”.

Que Deus nos ajude a fazer desse ensinamento uma ponte para a nossa evolução espiritual.

Domício.


[1] Vide dissertação, na íntegra, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. II (Meu reino não é deste mundo), Itens 2 e 3 (A vida futura).

domingo, 3 de novembro de 2024

TRATAMENTO DE OBSESSÕES

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TRATAMENTO DE OBSESSÕES

E até das cidades circunvizinhas concorria muita gente a Jerusalém, conduzindo enfermos e atormentados de espíritos imundos, os quais todos eram curados.

(ATOS, 5:16).

A igreja cristã dos primeiros séculos não estagnava as ideias redentoras do Cristo em prataria e resplendores do culto externo.

Era viva, cheia de apelos e respostas.

Semelhante a ela, o Espiritismo evangélico abre hoje as suas portas benfeitoras a quem sofre e procura caminho salvador.

É curioso notar que o trabalho enorme dos espiritistas de agora, no socorro às obsessões complexas e dolorosas, era da intimidade dos apóstolos. Eles doutrinavam os espíritos perturbados, renovando pelo exemplo e pelo ensino, não só os desencarnados sofredores, mas também os médiuns enfermos que lhes padeciam as influências.

Desde as primeiras horas de tarefa doutrinária sabe a alma do Cristianismo que seres invisíveis, menos equilibrados, vagueiam no mundo, produzindo chagas psíquicas naqueles que lhes recebem a atuação, e não desconhece as exigências do trabalho de conversão e elevação que lhe cabe realizar; os dogmas religiosos, porém, impediram-lhe o serviço eficiente, há muitos séculos.

Em plena atualidade, todavia, ressurgem os quadros primitivos da Boa-Nova.

Entidades espirituais ignorantes e infortunadas adquirem nova luz e roteiro novo, nas casas de amor que o Espiritismo cristão institui, vencendo preconceitos e percalços de vulto.

O tratamento de obsessões, portanto, não é trabalho excêntrico, em nossos círculos de fé renovadora. Constitui simplesmente a continuidade do esforço de salvação aos transviados de todos os matizes, começado nas luminosas mãos de Jesus.

NOSSA REFLEXÃO

Espíritos de todos os matizes morais sempre teve em nosso planeta de provas e expiações. Contudo, o trabalho de conversão deles, em favor deles e dos que eles perseguiam, começou com o Cristo.

Sabemos que muito se construiu de inimizades na Terra e que o ódio de quem partiu pra o plano espiritual, continua vivo no desencarnado. E, então, de onde ele não pode ser visto, passa a perseguir o que ficou encarnado. Temos, neste caso, os inimigos desencarnados.

Sobre isso, A. Kardec explanou sobre os motivos pelos quais o Espírita deve ser indulgente para com um inimigo:

[...] a morte apenas o livra da presença material do seu inimigo, pois que este o pode perseguir com o seu ódio, mesmo depois de haver deixado a Terra; que, assim, a vingança, que tome, falha ao seu objetivo, visto que, ao contrário, tem por efeito produzir maior irritação, capaz de passar de uma existência a outra. Cabia ao Espiritismo demonstrar, por meio da experiência e da lei que rege as relações entre o mundo visível e o mundo invisível, que a expressão: extinguir o ódio com o sangue é radicalmente falsa, que a verdade é que o sangue alimenta o ódio, mesmo no além-túmulo.[1]

Desse modo a máxima cristã Amai vossos inimigos (MATEUS, 5: 43 a 47). Esta atitude pode converter em amigos até o inimigo mais severo, pois,

Mediante o bom procedimento, tira-se, pelo menos, todo pretexto às represálias, podendo-se até fazer de um inimigo um amigo, antes e depois de sua morte. Com um mau proceder, o homem irrita o seu inimigo, que então se constitui instrumento de que a Justiça de Deus se serve para punir aquele que não perdoou.[2]

O processo de relação malévola de um Espírito desencarnado sobre um encarnado dá-se o nome de obsessão. O Espiritismo vem a ser um meio, pela comunicabilidade dos Espíritos desencarnados, de curar as obsessões. Ou seja, estabelecer um elo amigável entre inimigos do passado, seja dessa ou de encarnações pretéritas.

Segundo A. Kardec,

A obsessão apresenta caracteres diversos, que é preciso distinguir e que resultam do grau do constrangimento e da natureza dos efeitos que produz. A palavra obsessão é, de certo modo, um termo genérico, pelo qual se designa esta espécie de fenômeno, cujas principais variedades são: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação (grifos nossos).[3]

Desse modo, conforme Emmanuel, nesta mensagem, o tratamento das obsessões, iniciados com o Cristo e exemplificado, também, pelos apóstolos, reaparece nas casas espíritas.

Que Deus ajude os tarefeiros (médiuns e dialogadores com os irmãos obsessores) das sessões de desobsessão nos centros espíritas.

Domício.


[1] Vide dissertação na íntegra em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XII (Amais os vossos inimigos), Item 5 (Os inimigos desencarnados).
[2] Idem.
[3]
Vide explanação kardequiana em O Livro dos Médiuns, Segunda parte (Das manifestações espíritas), Cap. XXIII (Da obsessão), Item 237. No item seguinte, faz-se a distinção entre essas variações de obsessão. A subjugação é aquela em que o desencarnado toma posse do corpo e fala pelo encarnado, daí o nome de possessão. Mas para Allan Kardec, neste mesmo Item, “a palavra subjugação exprime perfeitamente a ideia. Assim, para nós, não há possessos, no sentido vulgar do termo, há somente obsidiados, subjugados e fascinados”.

domingo, 27 de outubro de 2024

ESPIRITISMO NA FÉ

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ESPIRITISMO NA FÉ

E estes sinais seguirão aos que crerem; em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas.

Jesus (MARCOS, 16:17).

Permanecem as manifestações da vida espiritual em todos os fundamentos da Revelação divina, nos mais variados círculos da fé.

Espiritismo em si, portanto, deixa de ser novidade, dos tempos que correm, para figurar na raiz de todas as escolas religiosas.

Moisés estabelece contacto com o plano espiritual no Sinai.

Jesus é visto pelos discípulos, no Tabor, ladeado por mortos ilustres.

O colégio apostólico relaciona-se com o Espírito do Mestre, após a morte dele, e consolida no mundo o Cristianismo redentor.

Os mártires dos circos abandonam a carne flagelada, contemplando visões sublimes.

Maomé inicia a tarefa religiosa, ouvindo um mensageiro invisível.

Francisco de Assis percebe emissários do Céu que o exortam à renovação da Igreja.

Lutero registra a presença de seres de outro mundo.

Teresa d’Ávila recebe a visita de amigos desencarnados e chega a inspecionar regiões purgatoriais, através do fenômeno mediúnico do desdobramento.

Sinais do reino dos Espíritos seguirão os que crerem, afirma o Cristo. Em todas as instituições da fé, há os que gozam, que aproveitam, que calculam, que criticam, que fiscalizam... Esses são, ainda, candidatos à iluminação definitiva e renovadora. Os que crêem, contudo, e aceitam as determinações de serviço que fluem do Alto, serão seguidos pelas notas reveladoras da imortalidade, onde estiverem. Em nome do Senhor, emitindo vibrações santificantes, expulsarão a treva e a maldade, e serão facilmente conhecidos, entre os homens espantados, porque falarão sempre na linguagem nova do sacrifício e da paz, da renúncia e do amor.

NOSSA REFLEXÃO

Emmanuel nos traz, historicamente, ou pontualmente, identificando Espíritos missionários, como foi a presença dos Espíritos superiores na vida desses missionários.

Quando da codificação da Doutrina Espíritas, em O Evangelho Segundo o Espíritismo, o Espírito Erasto, nos anima com certezas sobre o acompanhamento aos espíritas estudiosos e fervorosos das falanges espirituais coordenadas por Cristo:

[...] As línguas de fogo estão sobre as vossas cabeças. Ó verdadeiros adeptos do Espiritismo!... sois os escolhidos de Deus! Ide e pregai a palavra divina. Convosco estão os Espíritos elevados. [...] Ide, Deus vos guia! Homens simples e ignorantes, vossas línguas se soltarão e falareis como nenhum orador fala. Ide e pregai, que as populações atentas recolherão ditosas as vossas palavras de consolação, de fraternidade, de esperança e de paz.[1]

Contudo, para isso, é preciso a coragem da fé. Emmanuel, ratifica isso, quando nos lembra que: “os que crêem, contudo, e aceitam as determinações de serviço que fluem do Alto, serão seguidos pelas notas reveladoras da imortalidade, onde estiverem.”

Allan Kardec revela a importância dessa coragem:

A coragem das opiniões próprias sempre foi tida em grande estima entre os homens, porque há mérito em afrontar os perigos, as perseguições, as contradições e até os simples sarcasmos, aos quais se expõe, quase sempre, aquele que não teme proclamar abertamente ideias que não são as de toda gente.[2]

Historicamente, especialmente no início do Cristianismo, muitos cristãos foram jogados às arenas cheias de leões famintos, crucificados por se identificarem com a Doutrina do Cristo.

Então, com muita alegria, apesar de ainda haver perseguições, chegando a assassinatos de líderes religiosos, a sociedade brasileira proclamou o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa (21/01).

Devemos, então, respeitando as religiões das demais pessoas, confiar que a nossa motivação de exercer um papel de divulgador da Doutrina Espírita, será protegida e acompanhada pelo plano espiritual que nos inspirará a fazer o melhor que podemos fazer, guardadas as nossas limitações espirituais.

Que Deus nos ajude em nossa fé.

Domício.

[1] Vide mensagem, na íntegra, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XX (Os trabalhadores da última hora), Item 4 (Missão dos Espíritas).
[2] Vide dissertação kardequiana, na íntegra, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXIV (Não ponhais a candeia debaixo do alqueire), Item 15 (Coragem da fé).

domingo, 20 de outubro de 2024

domingo, 13 de outubro de 2024

COMO TESTEMUNHAR

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COMO TESTEMUNHAR

 

Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da Terra.

ATOS (1:8).

Realmente, Jesus é o Salvador do Mundo, mas não libertará a Terra do império do mal, sem a contribuição daqueles que lhe procuram os recursos salvadores.

O divino Mestre, portanto, precisa de auxiliares com atribuições de prepostos e testemunhas, em toda parte.

É impraticável o aprimoramento das almas, sem educação, e a educação exige legiões de cooperadores.

Contudo, para desempenharmos a tarefa de representantes do Senhor, na obra sublime de elevação, não basta o título externo, com vistas à escola religiosa.

Indispensável é a obtenção de bênçãos do Alto, por intermédio da execução de nossos deveres, por mais difíceis e dolorosos.

Até agora, conhecemos à saciedade, na Terra, o poder de dominar, governar, recusar e ferir, de fácil acesso no campo da vida.

Raras criaturas, porém, fazem por merecer de Jesus o poder celeste de obedecer, ensinando, de amar, construindo para o bem, de esperar, trabalhando, de ajudar desinteressadamente. Sem a recepção de semelhantes recursos, que nos identificam com o Trabalhador divino, e sem as possibilidades de refleti-lo para o próximo, em espírito e verdade, através do nosso esforço constante de aplicação pessoal do Evangelho, podemos personificar excelentes pregadores, brilhantes literatos ou notáveis simpatizantes da doutrina cristã, mas não testemunhas dele.

NOSSA REFLEXÃO

Emmanuel nos lembra do maior trabalhador de Deus no nosso planeta e exalta que devemos, de fato, sermos suas testemunhas, como ele orientou ainda com os seus primeiros discípulos.

Devemos ser exemplos do que transmitimos. Ou seja, é melhor que quem cruza o nosso caminho nos conheça por atos cristãos e confirmemos com a divulgação da Doutrina que nos orienta a praticarmos o que as pessoas vêem.

Se tivemos encarnados em nosso planeta um ser que nos ensinou a sermos caridosos, na mais pura e significativa concepção da palavra caridade[1], temos um exemplo a seguir. Nosso objetivo é nos tornar, também, um trabalhador divino.

Os Espíritos Superiores nos interpretaram a parábola do Trabalhador da última hora (Mateus, 20:1 a 16) na obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, de autoria de Allan Kardec. Constantino, Espírito Protetor, ainda nos estimula, espíritas, como possíveis trabalhadores da última hora:

Bons espíritas, meus bem-amados, sois todos obreiros da última hora. Bem orgulhoso seria aquele que dissesse: Comecei o trabalho ao alvorecer do dia e só o terminarei ao anoitecer. Todos viestes quando fostes chamados, um pouco mais cedo, um pouco mais tarde, para a encarnação cujos grilhões arrastais; mas há quantos séculos e séculos o Senhor vos chamava para a sua vinha, sem que quisésseis penetrar nela! Eis-vos no momento de embolsar o salário; empregai bem a hora que vos resta e não esqueçais nunca que a vossa existência, por longa que vos pareça, mais não é do que um instante fugitivo na imensidade dos tempos que formam para vós a eternidade.[2]

No entanto, esse papel deve ser de toda pessoa cristã que se identifica com a Doutrina do Cristo. Mas vejamos o estímulo que o Espírito Erasto deu aos espíritas, identificados com o Consolador Prometido por Jesus Cristo, a 3ª Revelação e de último modo, a Doutrina Espírita:

[...] ides pregar o novo dogma da reencarnação e da elevação dos Espíritos, conforme tenham cumprido, bem ou mal, suas missões e suportado suas provas terrestres. Não mais vos assusteis! As línguas de fogo estão sobre as vossas cabeças. Ó verdadeiros adeptos do Espiritismo!... sois os escolhidos de Deus! Ide e pregai a palavra divina. É chegada a hora em que deveis sacrificar à sua propagação os vossos hábitos, os vossos trabalhos, as vossas ocupações fúteis. Ide e pregai. Convosco estão os Espíritos elevados. Certamente falareis a criaturas que não quererão escutar a voz de Deus, porque essa voz as exorta incessantemente à abnegação. Pregareis o desinteresse aos avaros, a abstinência aos dissolutos, a mansidão aos tiranos domésticos, como aos déspotas! Palavras perdidas, eu o sei; mas não importa. Faz-se mister regueis com os vossos suores o terreno onde tendes de semear, porquanto ele não frutificará e não produzirá senão sob os reiterados golpes da enxada e da charrua evangélicas. Ide e pregai![3]

Desse modo, o Espírito Erasto nos ratifica a orientação do Mestre, grafada no caput dessa mensagem de Emmanuel, que ora refletimos, a sermos testemunha dele e nos convida a sermos disseminadores da Doutrina Espírita, sem esquecer que não estaremos sozinhos.

Mas reafirmamos que a divulgação deve ser precedida de atos espíritas cristãos. O Mestre voltou para nos lembrar disso sob a identificação de Espírito de Verdade. E Ele nos estimula, também:

Aproxima-se o tempo em que se cumprirão as coisas anunciadas para a transformação da Humanidade. Ditosos serão os que houverem trabalhado no campo do Senhor, com desinteresse e sem outro móvel, senão a caridade! Seus dias de trabalho serão pagos pelo cêntuplo do que tiverem esperado. Ditosos os que hajam dito a seus irmãos: “Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra”, porquanto o Senhor lhes dirá: “Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra! [...] Deus procede, neste momento, ao censo dos seus servidores fiéis e já marcou com o dedo aqueles cujo devotamento é apenas aparente, a fim de que não usurpem o salário dos servidores animosos, pois aos que não recuarem diante de suas tarefas é que Ele vai confiar os postos mais difíceis na grande obra da regeneração pelo Espiritismo. Cumprir-se-ão estas palavras: “Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros no Reino dos Céus.[4]

Então, que sejamos testemunhas do Cristo em atos e palavras, divulgando assim sua Boa Nova.

Que Deus nos ajude.

Domício.



[1] Questão nº 886 de O Livro dos Espíritos: Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus? Resp.: Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.
[2] Vide a mensagem, na íntegra, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XX (Os trabalhadores da última hora), Item 2 ( Instruções dos Espíritos – Os últimos serão os primeiros).
[3] Vide a mensagem, na íntegra, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XX (Os trabalhadores da última hora), Item 4 ( Instruções dos Espíritos – Missão dos Espíritas).
[4] Vide a mensagem, na íntegra, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XX (Os trabalhadores da última hora), Item 5 ( Instruções dos Espíritos – Os obreiros do Senhor).