Caríssimos(as) estudiosos(as) da Doutrina Espírita,
Hoje por motivo profissional, não foi possível realizar a Nossa Reflexão.
No próximo domingo, retorno à essa gratificante atividade espírita.
Caríssimos(as) estudiosos(as) da Doutrina Espírita,
Hoje por motivo profissional, não foi possível realizar a Nossa Reflexão.
No próximo domingo, retorno à essa gratificante atividade espírita.
Sois vós
tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?
Paulo (GÁLATAS, 3:3).
Um dos maiores desastres no caminho
dos discípulos é a falsa compreensão com que iniciam o esforço na região
superior, marchando em sentido inverso para os círculos da inferioridade. Dão,
assim, a idéia de homens que partissem à procura de ouro, contentando-se, em
seguida, com a lama do charco.
Semelhantes fracassos se fazem
comuns, nos vários setores do pensamento religioso.
Observamos enfermos que se dirigem à
espiritualidade elevada, alimentando nobres impulsos e tomados de preciosas
intenções; conseguida a cura, porém, refletem na melhor maneira de aplicarem as
vantagens obtidas na aquisição do dinheiro fácil. Alguns, depois de auxiliados
por amigos das esferas sublimadas, em transcendentes questões da vida eterna,
pretendem atribuir a esses mesmos benfeitores a função de policiais humanos, na
pesquisa de objetivos menos dignos.
Numerosos aprendizes persistem nos
trabalhos do bem; contudo, eis que aparecem horas menos favoráveis e se
entregam, inertes, ao desalento, reclamando prêmio aos minguados anos terrestres
em que tentaram servir na lavoura do Mestre Divino e plenamente despreocupados
dos períodos multimilenários em que temos sido servidos pelo Senhor.
Tais anomalias espirituais que
perturbam consideravelmente o esforço dos discípulos procedem dos filtros
venenosos compostos pelos pruridos de recompensa.
Trabalhemos, pois, contra a
expectativa de retribuição, a fim de que prossigamos na tarefa começada, em
companhia da humildade, portadora de luz imperecível.
NOSSA REFLEXÃO
Temos na fala de Paulo e na corroboração
de Emmanuel, a ele, uma indicação que muitos de nós não se comprometem com o
grande arcabouço filosófico obtido com o contato com Espiritismo, a revivência
do Evangelho do Cristo, o Consolador prometido pelo Ele.
Há muita fugas do itinerário já percorrido
no sentido de compreender a Doutrina Espírita, por quem foge, por não se sentir
plenamente contemplado no que diz respeito às aquisições materiais pelo contato
com a santa Doutrina.
Há que se perguntar: por que muitos se
afastam da Doutrina (não estamos nos referindo ao movimento espírita), depois
do contato, estudo, participação em grupos de estudos?
A. Kardec faz a seguinte reflexão
sobre a compreensão da Doutrina para um espírita se tornar um bom espírita:
Muitos, entretanto, dos que acreditam nos fatos das manifestações não lhes apreendem as consequências, nem o alcance moral, ou, se os apreendem, não os aplicam a si mesmos. A que atribuir isso? A alguma falta de clareza da Doutrina? Não, pois que ela não contém alegorias nem figuras que possam dar lugar a falsas interpretações. A clareza é da sua essência mesma e é donde lhe vem toda a força, porque a faz ir direito à inteligência. Nada tem de misteriosa e seus iniciados não se acham de posse de qualquer segredo, oculto ao vulgo. Será então necessária, para compreendê-la, uma inteligência fora do comum? Não, tanto que há homens de notória capacidade que não a compreendem, ao passo que inteligências vulgares, moços mesmo, apenas saídos da adolescência, lhe apreendem, com admirável precisão, os mais delicados matizes. Provém isso de que a parte por assim dizer material da ciência somente requer olhos que observam, enquanto a parte essencial exige um certo grau de sensibilidade, a que se pode chamar maturidade do senso moral, maturidade que independe da idade e do grau de instrução, porque é peculiar ao desenvolvimento, em sentido especial, do Espírito encarnado (grifos nossos).[1]
Em tratando da aplicação da Parábola
do Semeador, o Mestre da Codificação, nos ilumina, ainda, sobre os diversas categorias
de espíritas:
Não menos justa aplicação encontra ela nas diferentes categorias espíritas. Não se acham simbolizados nela os que apenas atentam nos fenômenos materiais e nenhuma consequência tiram deles, porque neles mais não veem do que fatos curiosos? Os que apenas se preocupam com o lado brilhante das comunicações dos Espíritos, pelas quais só se interessam quando lhes satisfazem à imaginação, e que, depois de as terem ouvido, se conservam tão frios e indiferentes quanto eram? Os que reconhecem muito bons os conselhos e os admiram, mas para serem aplicados aos outros e não a si próprios? Aqueles, finalmente, para os quais essas instruções são como a semente que cai em terra boa e dá frutos?[2]
Com exceção aos últimos, os demais
podem ser incluídos entre os que iniciaram no Espírito e seguem presos aos
caprichos da carne, da matéria.
Mas se muitos fogem do que o Espírito
orienta, quais as caracteríscas de quem continua segundo o Espírito? O Espírito
Erasto nos aponta as seguintes, respondendo à pergunta de A. Kardec, que segue:
Pergunta. – Se, entre os chamados para o Espiritismo, muitos se transviaram, quais os sinais pelos quais reconheceremos os que se acham no bom caminho? Resposta. – Reconhecê-los-eis pelos princípios da verdadeira caridade que eles ensinarão e praticarão. Reconhecê-los-eis pelo número de aflitos a que levem consolo; reconhecê-los-eis pelo seu amor ao próximo, pela sua abnegação, pelo seu desinteresse pessoal; reconhecê-los-eis, finalmente, pelo triunfo de seus princípios, porque Deus quer o triunfo de sua lei; os que seguem sua lei, esses são os escolhidos e Ele lhes dará a vitória; mas Ele destruirá aqueles que falseiam o espírito dessa lei e fazem dela degrau para contentar sua vaidade e sua ambição. – Erasto, anjo da guarda do médium. (Paris, 1863).[3]
Então, que possamos nos ater, sempre
ao Espírito e não à Palavra[4]. Desse
modo estaremos seguindo sem se preocupar com as recompensas advindas da
aproximação com a Doutrina ou até, mesmo, do movimento espírita.
Que Deus nos ajude.
Domício.
Que
diremos pois à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?
Paulo (ROMANOS, 8:31).
A interrogação de Paulo ainda
representa precioso tema para a comunidade evangélica dos dias que correm.
Perante nosso esforço desdobra-se
campo imenso, onde o Mestre nos aguarda a colaboração resoluta.
Muitas vezes, contudo, grande número
de companheiros prefere abandonar a construção para disputar com malfeitores do
caminho.
Elementos adversos nos cercam em
toda parte.
Obstáculos inesperados se desenham
ante os nossos olhos aflitos, velhos amigos deixam-nos a sós, situações
favoráveis, até ontem, são metamorfoseadas em hostilidades cruéis.
Enormes fileiras de operários fogem
ao perigo, temendo a borrasca e esquecendo o testemunho.
Entretanto, não fomos situados na
obra a fim de nos rendermos ao pânico, nem o Mestre nos enviou ao trabalho com
o objetivo de confundir-nos através de experiências dos círculos exteriores.
Fomos chamados a construir.
Naturalmente, deveremos contar com
as mil eventualidades de cada dia, suscetíveis de nascer das forças contrárias,
dificultando-nos a edificação; nosso dia de luta será assediado pela
perturbação e pela fadiga. Isto é inevitável num mundo que tudo espera do
cristão genuíno.
Em razão de semelhante imperativo,
entre ameaças e incompreensões da senda, cabe-nos indagar, bem-humorados, à
maneira do apóstolo aos gentios: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”
NOSSA REFLEXÃO
Emmanuel
traz-nos a reflexão de Paulo, que consta no caput dessa mensagem, nos lembrando
que podemos estar entre diferentes e contrários, sem perder o equilíbrio.
A
diferença entre as pessoas num mundo de provas e expiação[1], como
o nosso, é o que o caracteriza. Então, ao reencarnarmos, somos chamados,
naturalmente, a conviver com os contrários.
Essa
relação, por vezes, é até angustiante, mesmo quando debate-se temas comuns a
diferentes debatedores.
Segundo
Um Espírito Protetor,
Sois chamados a estar em contato com espíritos de naturezas diferentes, de caracteres opostos: não choqueis a nenhum daqueles com quem estiverdes. Sede joviais, sede ditosos, mas seja a vossa jovialidade a que provém de uma consciência limpa, seja a vossa ventura a do herdeiro do Céu que conta os dias que faltam para entrar na posse da sua herança.[2]
Ou
seja, em contato com os diferentes, podemos ser, com a consciência tranquila,
nos comportar como aquele que respeita o ponto de vista de qualquer pessoa e
que deseja que seja respeitado o seu.
Aliás,
é importante que estejamos com a fé do propósito justo em que defendemos, se
for para contribuir para a melhoria de vida daqueles por quais defendemos.
Também,
não podemos nos desesperançar na luta.
Segundo
José, Espírito Protetor:
A esperança e a caridade são corolários da fé e formam com esta uma trindade inseparável. Não é a fé que faculta a esperança na realização das promessas do Senhor? Se não tiverdes fé, que esperareis? Não é a fé que dá o amor? Se não tendes fé, qual será o vosso reconhecimento e, portanto, o vosso amor?[3]
A fé nos bons propósitos, pensando na vida futura, é que nos garante firmeza numa luta em um mundo de desiguais.
Desse modo, lembremos que Emmanuel nos exorta,
nesta mensagem: “Fomos
chamados a construir.”
Que saibamos, então, colaborar na construção
de um mundo justo, a partir da nossa própria construção, enquanto espíritos em
evolução.
Que Deus nos ajude.
Domício.
Jesus respondeu: Não há doze horas
no dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo.
(JOÃO,
11:9).
O
conteúdo da interrogativa do Mestre tem vasta significação para os discípulos
da atualidade.
“Não
há doze horas no dia?”
Conscientemente,
cada qual deveria inquirir de si mesmo em que estará aplicando tão grande
cabedal de tempo.
Fala-se
com ênfase do problema de desempregados na época moderna. Entretanto, qualquer
crise nesse sentido não resulta da carência de trabalho e, sim, da ausência de boa vontade individual.
Um
inquérito minucioso nesse particular revelaria a realidade. Muita gente
permanece sem atividade por revolta contra o gênero de serviço que lhe é
oferecido ou por inconformação, em face dos salários.
Sobrevém,
de imediato, o desequilíbrio.
A
ociosidade dos trabalhadores provoca a vigilância dos mordomos e as leis
transitórias do mundo refletem animosidade e desconfiança.
Se
os braços estacionam, as oficinas adormecem.
Ocorre
o mesmo nas esferas de ação espiritual.
Quantos
aprendizes abandonam seus postos, alegando angústia de tempo? quantos não se
transferem para a zona da preguiça, porque aconteceu isso ou aquilo, em pleno
desacordo com os princípios superiores que abraça?
E,
por bagatelas, grande número de servidores vigorosos procuram a retaguarda
cheia de sombras. Mas aquele que conserva acuidade auditiva ainda escuta com
proveito a palavra do Senhor: ”Não há doze horas no dia? Se alguém andar de dia
não tropeça.”
NOSSA REFLEXÃO
Emmanuel
se refere a uma passagem que antecipou a ressurreição de Lázaro (JOÃO, 11).
A resposta
do Mestre Jesus, foi à pergunta de seus discípulos sobre a ida à judeia onde Jesus
já havia sido hostilizado.
Contudo,
Jesus tinha uma missão muito importante a fazer lá, pois Lázaro, irmão de Marta
e Maria (que ungiu os pés de Jesus (JOÃO, 11:2)) havia falecido.
Emmanuel
faz, relativa a essa passagem de João, uma possível causa do desemprego: a
preguiça ou falta de boa vontade do desempregado. Diz, Emmanuel, sobre isso: “[...]
qualquer crise nesse sentido não resulta da carência de trabalho e, sim, da ausência de boa vontade individual.” Isto
que não coaduna com os tempos atuais. Falta, em verdade, postos de serviço.
Vide, que há muitos trabalhadores informais que conseguem uma oportunidade de oferecer
um serviço nas ruas, praças e transporte coletivo.[1] O que
não acontece com todos e todas. Faz-se necessário uma análise sobre isso, para
não cairmos na generalização. A sociedade deve fazer sua parte no sentido de
criar mais oportunidades de trabalho.
Lembremos
que o Cristo foi misericordioso com aqueles que não puderam trabalhar o dia
todo por falta de oportunidade. Refiro-me aos trabalhadores da última hora (MATEUS,
20:1 a 16). Pode haver situações que foge a isso, mas não podemos generalizar.
Pois emprego depende de ações públicas ou privadas que os geram. A parábola do
Trabalhador da Última Hora nos remete, como os Espíritos Superiores nos mostraram,
à várias análises constantes em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XX. É um capítulo tão sensível, que
Allan Kardec se absteve de comentar, pois temos tão somente as Instruções
dos Espíritos.
Entendemos que o
Emmanuel quis nos dizer, notadamente, que não devemos fugir ao trabalho por
motivos externos a nós. Foi legítima a preocupação dos discípulos, sobre o perigo
que Jesus corria. E, de fato, logo depois desse episódio, começou a via crucis
do Mestre (MATEUS, 26:1-5; MARCOS, 14:1-2; LUCAS, 22:1-6). Lógico que o Mestre
sabia o que ia acontecer, mas aproveitou a oportunidade para dar o exemplo aos
discípulos, pois estes, depois que Ele se fosse, não teriam facilidade para
pregar a Boa Nova. Boa parte deles foram imolado de alguma forma ou mortos no
cumprimento de suas missões evangélicas.
Ficou para a nós o
ensinamento, também.
Que saibamos cumprir
nossas missões, irresolutos, a despeito das dificuldades para alcançar as metas
que devem ser justas perante as Leis de Deus.
Que Deus nos ajude.
Domício.
[1] Vide que, no Brasil, 13,4 milhões de pessoas vivem do
trabalho informal, sem carteira assinada. Disponível
Que quereis? Irei ter convosco
com vara ou com amor e espírito de mansidão?
Paulo (I CORÍNTIOS, 4:21).
Por
vezes, o apóstolo dos gentios, inflamado de sublimes inspirações, trouxe aos
companheiros interrogativas diretas, quase cruéis, se consideradas tão somente
em sentido literal, mas portadoras de realidade admirável, quando vistas
através da luz imperecível.
Em
todas as casas cristãs vibram irradiações de amor e paz. Jesus nunca deixou os
seguidores fiéis esquecidos, por mais separados caminhem no terreno das
interpretações.
Emissários
abnegados do devotamento celestial espalham socorro santificante em todas as
épocas da humanidade. A História é demonstração dessa verdade inconteste.
A
nenhum século faltaram missionários legítimos do bem.
Promessas
e revelações do Senhor chegam aos portos do conhecimento, através de mil modos.
Os
aprendizes que ingressaram nas fileiras evangélicas, portanto, não podem alegar
ignorância de objetivo a fim de esconderem as próprias falhas. Cada qual, no
lugar que lhe compete, já recebeu o programa de serviço que lhe cabe executar,
cada dia. Se fogem ao trabalho e se escapam ao testemunho, devem semelhante
anomalia à própria vontade paralítica.
Eis
por que é possível surja um momento em que o discípulo ocioso e pedinchão
poderá ouvir o Mestre, sem intermediários, exclamando de igual modo: – “Que
quereis? Irei ter convosco com vara ou com amor e espírito de mansidão?”
NOSSA REFLEXÃO
Emmanuel nos lembra da
firmeza com que Paulo falou aos Coríntios, se referindo, naquela carta, sobre
uma possível contenda que estava ocorrendo entre os membros do grupo a quem ele
se dedicava.
Esta mensagem nos leva
a refletir, quando focamos em um trabalho pessoal, social e cristão que depende
de nós. Como Emmanuel nos diz: “Em todas
as casas cristãs vibram irradiações de amor e paz. Jesus nunca deixou os
seguidores fiéis esquecidos, por mais separados caminhem no terreno das
interpretações”.
Desse
modo, seremos,
então, cada vez mais felizes se dermos conta dos serviços que recebemos por misericórdia
e que devemos cumpri-los com espírito de lealdade, gratidão e companherismo.
No trabalho espírita,
em que nos engajarmos, devemos agir de modo a não prejudicar o andamento da obra.
Vale destacar a mensagem do Espírito de Verdade sobre isso:
Ditosos os que hajam dito a seus irmãos: “Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra”, porquanto o Senhor lhes dirá: “Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra!”[1]
Então, que tenhamos
isto em mente quando nos dispormos ao trabalho coletivo em uma casa espírita em
prol da divulgação do Espiritismo e suas consequências morais.
Que Deus nos ajude.
Domício.
[1] Vide a mensagem de O Espírito de
Verdade, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XX (Os trabalhadores da última hora),
Item 5 (Os obreiros do Senhor).
Respondeu-lhe Simão Pedro:
Senhor, para quem iremos nós? tu tens as palavras da vida eterna.
João (6:68).
A
medida que o Mestre revelava novas características de sua doutrina de amor, os
seguidores, então numerosos, penetravam mais vastos círculos no domínio da
responsabilidade.
Muitos
deles, em razão disso, receosos do dever que lhes caberia, afastaram-se,
discretos, do cenáculo acolhedor de Cafarnaum.
O
Cristo, entretanto, consciente das obrigações de ordem divina, longe de violar
os princípios da liberdade, reuniu a pequena assembleia que restava e
interrogou aos discípulos:
–
Também vós quereis retirar-vos?
Foi
nessa circunstância que Pedro emitiu a resposta sábia, para sempre gravada no
edifício cristão.
Realmente,
quem começa o serviço de espiritualidade superior com Jesus jamais sentirá emoções
idênticas, a distância d’Ele. A sublime experiência, por vezes, pode ser
interrompida, mas nunca aniquilada. Compelido em várias ocasiões por
impositivos da zona física, o companheiro do Evangelho sofrerá acidentes
espirituais submetendo-se a ligeiro estacionamento; contudo, não perderá
definitivamente o caminho.
Quem
comunga efetivamente no banquete da revelação cristã, em tempo algum olvidará o
Mestre amoroso que lhe endereçou o convite.
Por
este motivo, Simão Pedro perguntou com muita propriedade: Senhor, para quem
iremos nós?
É
que o mundo permanece repleto de filósofos, cientistas e reformadores de toda espécie,
sem dúvida respeitáveis pelas concepções humanas avançadas de que se fazem
pregoeiros; na maioria das situações, todavia, não passam de meros expositores
de palavras transitórias, com reflexos em experiências efêmeras.
Cristo,
porém, é o Salvador das almas e o Mestre dos corações e, com Ele, encontramos
os roteiros da vida eterna.
NOSSA REFLEXÃO
Emmanuel lembra essa
importante conversa do Cristo com os seus discípulos. O Mestre, sempre
aproveitava um momento inusitado para deixar uma mensagem ou ponto de reflexão.
Ele entendia que deveria criar um elo permanente após sua volta ao plano
espiritual.
Os discípulos, como Pedro materializou, sentiam a necessidade de se manter com Cristo por perto. E, após
sua ida, não restou senão a memória da Sua presença e ensinamentos. Uma prova
disso é que só algum tempo depois, essa memória se materializou na forma dos
Evangelhos e trabalhos de pregação da Boa Nova entre os judeus.
O Cristo deixou um
importante recado para manter os seus discípulos perto de si, mesmo estando
invisível: “Chamando para perto de si o povo e os discípulos, disse-lhes: “Se
alguém quiser vir nas minhas pegadas, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e
siga-me [...] (MARCOS, 8:34 a 36; LUCAS, 9:23 a 25; MATEUS, 10:38 a 39; JOÃO,
12:25 a 26). Esta exortação do Mestre ficou tão marcada em suas memórias, que
foi grafada nos 4 Evangelhos.
Allan Kardec, lembra essa
passagem evangélica, traduzindo-a da seguinte forma:
“Tome a sua cruz aquele que me quiser seguir”, isto é, suporte corajosamente as tribulações que sua fé lhe acarretar, dado que aquele que quiser salvar a vida e seus bens, renunciando a mim, perderá as vantagens do Reino dos Céus, enquanto os que tudo houverem perdido neste mundo, mesmo a vida, para que a verdade triunfe, receberão, na vida futura, o prêmio da coragem, da perseverança e da abnegação de que deram prova. Mas aos que sacrificam os bens celestes aos gozos terrestres, Deus dirá: “Já recebestes a vossa recompensa.”[1]
Então, precisamos, como
Emmanuel nos diz, nesta mensagem:
Compelido em várias ocasiões por impositivos da zona física, o companheiro do Evangelho sofrerá acidentes espirituais submetendo-se a ligeiro estacionamento; contudo, não perderá definitivamente o caminho. Quem comunga efetivamente no banquete da revelação cristã, em tempo algum olvidará o Mestre amoroso que lhe endereçou o convite.
Que Deus nos ajude a
não esquecer o iluminoso convite.
Domício.
Pois o mesmo Pai vos ama.
Jesus (JOÃO, 16:27).
Ninguém
despreze os valores da confiança.
Servo
algum fuja ao benefício da cooperação. Quem hoje pode dar algo de útil,
precisará possivelmente amanhã de alguma colaboração essencial.
Todavia,
por enriquecer-se alguém de fraternidade e fé, não olvide a necessidade do
desenvolvimento infinito no bem.
Os
obreiros sinceros do Evangelho devem operar contra o favoritismo pernicioso.
A
lavoura divina não possui privilegiados. Em suas seções numerosas há
trabalhadores mais devotados e mais fiéis; contudo, esses não devem ser
categorizados à conta de fetiches e, sim, respeitados e imitados por símbolos
de lealdade e serviço.
Criar
ídolos humanos é pior que levantar estátuas destinadas à adoração. O mármore é
impassível mas o companheiro é nosso próximo de cuja condição ninguém deveria
abusar.
Pague
cada homem o tributo de esforço próprio à vida.
O
Supremo Senhor espera de nós apenas isto, a fim de converter-nos em
colaboradores diretos.
O
próprio Cristo afirmou que o mesmo Pai que o distingue ama igualmente a Humanidade.
O
Deus que inspira o médico é o que ampara o doente.
Não
importa que asiáticos e europeus o designem sob nomes diferentes.
Invariavelmente é o mesmo Pai.
Conservemos,
pois, a luz da consolação, a bênção do concurso fraterno, a confiança em nossos
Maiores e a certeza na proteção deles; contudo, não olvidemos o dever natural
de seguir para o Alto, utilizando os próprios pés.
NOSSA REFLEXÃO
Emmanuel nos chama a
atenção para que sejamos determinados em lutar pela própria evolução, mesmo que
aqui e ali, possamos precisar da ajuda de companheiros e companheiras.
Ninguém evolui sozinho.
Conforme os Espíritos Superiores, que colaboraram, em equipe, na codificação da
Doutrina Espírita, “a vida social está na natureza (Livro dos Espíritos (LE),
questão 766). Vejamos como eles se pronunciaram a respeito:
LE Q 766 –
A vida social está na Natureza? Certamente. Deus fez o homem para viver em
sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades
necessárias à vida de relação.
LE Q 767.
É contrário à Lei da Natureza o insulamento absoluto? Sem dúvida, pois que
por instinto os homens buscam a sociedade e todos devem concorrer para o
progresso, auxiliando-se mutuamente.[1]
Então, é natural
recorremos a outrem quando um problema ocorre em nossa vida, pois há uma
diversidade de especialistas que se desenvolveram por afinidade com uma atividade
acadêmica, social, política, médica, etc, que podem nos ajudar, como, da nossa
vez, podemos ajudar as pessoas que nos procuram pela nossa especialidade.
Mas acima de todos, que
podem ter mais conhecimentos ou bens materiais, Emmanuel nos lembra, baseado em
Paulo, o Apóstolo, que temos o mesmo Pai que espera o desenvolvimento de nossa
autonomia. Pois, segundo Emmanuel, nesta mensagem que ora refletimos: “Pague cada homem o tributo de esforço próprio à vida”.
Sim, o Pai ou criador
do universo é único. Conforme os Espíritos Superiores em O Livro dos Espíritos,
em resposta à A. Kardec, (primeira pergunta desse livro), afirmaram: “Deus é a
inteligência suprema, causa primária de todas as coisas” (grifos
nossos).[2]
Por Sua vontade, quando
do nosso planejamento reencarnatório, somos instruídos às nossas necessidade
evolutivas. Nós mesmos entendemos em que precisamos melhorar. Daí, a
possibilidade de escolhermos nossas provas e expiações.
Sobre isso, vejamos as
respostas dos Espíritos Superiores às perguntas de A. Kardec sobre tema:
LE Q 258.
Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o
Espírito consciência e previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena? Ele
próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar e nisso consiste o seu
livre-arbítrio.
a) Não é Deus, então, quem lhe impõe as tribulações da vida, como castigo? Nada ocorre sem a permissão de Deus, porquanto foi Deus quem estabeleceu todas as leis que regem o Universo. Ide agora perguntar por que decretou Ele esta lei e não aquela. Dando ao Espírito a liberdade de escolher, Deus lhe deixa a inteira responsabilidade de seus atos e das consequências que estes tiverem. Nada lhe estorva o futuro; abertos se lhe acham, assim, o caminho do bem, como o do mal. Se vier a sucumbir, restar-lhe-á a consolação de que nem tudo se lhe acabou e que a Bondade divina lhe concede a liberdade de recomeçar o que foi malfeito. Ademais, cumpre se distinga o que é obra da vontade de Deus do que o é da vontade do homem. Se um perigo vos ameaça, não fostes vós quem o criou e sim Deus. Vosso, porém, foi o desejo de a ele vos expordes, por haverdes visto nisso um meio de progredirdes, e Deus o permitiu.[3]
Desse modo, que possamos,
usando de nossa vigilância, vencer as provas escolhidas e superar, com resignação,
as expiações necessárias que escolhemos pelos nossos atos passados, pela ignorância
da vida futura. Tudo isso, com a crença de, apesar de termos escolhido conscientemente
ou não, e por esquecermos as vidas passadas ao reencarnar[4], não
somos largados a própria sorte. Temos nosso Anjo da Guarda e Espíritos
Familiares[5] que
nos assistem.
Que Deus nos ajude.
Domício.