domingo, 27 de junho de 2021

Trabalho suspenso hoje

 Olá, caríssimos (as) leitores(as)!!

Hoje, por motivo de trabalho acadêmico não poderei fazer a nossa reflexão domingueira respeitando o horário de sempre.

Então, adiamos para o próximo domingo.

Muita paz, saúde e alegrias!!

Domício.

domingo, 20 de junho de 2021

FALSAS ALEGAÇÕES

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FALSAS ALEGAÇÕES

Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes.

Lucas (8:28).

O caso do Espírito perturbado que sentiu a aproximação de Jesus, recebendo-­lhe a presença com furiosas indagações, apresenta muitos aspectos dignos de estudo.

A circunstância de suplicar ao divino Mestre que não o  atormentasse requer muita atenção por parte dos discípulos sinceros.

Quem poderá supor o Cristo capaz de infligir tormentos a quem quer que seja? E, no caso, trata-se de uma entidade ignorante e perversa que, nos íntimos desvarios, muito já padecia por si mesma. A vizinhança do Mestre, contudo, trazia-lhe claridade suficiente para contemplar o martírio da própria consciência, atolada num pântano de crimes e defecções tenebrosas. A luz castigava-lhe as trevas interiores e revelava-lhe a nudez dolorosa e digna de comiseração.

O quadro é muito significativo para quantos fogem das verdades religiosas da vida, categorizando-lhe o conteúdo à conta de amargo elixir de angústia e sofrimento. Esses espíritos indiferentes e gozadores costumam afirmar que os serviços da fé alagam o caminho de lágrimas, enevoando o coração.

Tais afirmativas, no entanto, denunciam-nos. Em maior ou menor escala, são companheiros do irmão infeliz que acusava Jesus por ministro de tormentos.

NOSSA REFLEXÃO

A passagem evangélica servida de inspiração de Emmanuel apresenta um irmão obsidiado por vários outros Espíritos. É importante frisar que a obsessão é um processo de sintonia, por isto Emmanuel diz, ao encerrar esta mensagem: “Em maior ou menor escala, são companheiros do irmão infeliz que acusava Jesus por ministro de tormentos”.[1]

Ninguém que esteja sofrendo um processo como este pode exirmir-se de culpa, pois é a culpa que trazemos em nós que nos vincula a muitos relacionados ao processo em que fomos protagonistas.

Independente disto, sabemos que somos mais influenciados do que imaginamos.[2] Daí o recado de Emmanuel para que tenhamos cuidado com a influenciação e sintonia com Espíritos sofredores que pululam em nosso derredor.

Este conhecimento que nós, espíritas, temos, nos diferencia em relação aos outros cristãos de credos distintos e nos chama à reforma íntima, particularmente em relação aos nossos pensamentos.

Na mensagem de Emmanuel, intitulada “Além dos outros”, do livro Fonte Viva, temos uma chamada à razão sobre o que fazemos além dos outros no quesito da caridade para concosco e para com os semelhantes.

Tenhamos o cuidado de não darmos espaços para que o que aconteceu com o endaimoniado (ou endemoniado) da região dos Gerasenos.

Que Deus nos ajude.

Domício.



[1] Vide O Livro dos Médiuns, Capítulo XXIII – Da obsessão.
[2]
O Livro dos Espíritos, Questão nº 459. Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos? “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto que, de ordinário, são eles que vos dirigem.”

domingo, 13 de junho de 2021

PROVAS DE FOGO

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PROVAS DE FOGO

E o fogo provará qual seja a obra de cada um.

Paulo (I CORÍNTIOS, 3:13).

A indústria mecanizada dos tempos modernos muito se refere às provas de fogo para positivar a resistência de suas obras e, ponderando o feito, recordemos que o Evangelho, igualmente, se reporta a essas provas, há quase vinte séculos, com respeito às aquisições espirituais.

Escrevendo aos Coríntios, Paulo imagina os obreiros humanos construindo sobre o único fundamento, que é Jesus Cristo, organizando cada qual as próprias realizações, de conformidade com os recursos evolutivos.

Cada discípulo, entretanto, deve edificar o trabalho que lhe é peculiar, convicto de que os tempos de luta o descobrirão aos olhos de todos, para que se efetue reto juízo acerca de sua qualidade.

O aperfeiçoamento do mundo, na feição material, pode fornecer a imagem do que seja a importância dessas aferições de grande vulto. A Terra permanece cheia de fortunas, posições, valores e inteligências que não suportam as provas de fogo; mal se aproximam os movimentos purificadores, descem, precipitadamente, os degraus da miséria, da ruína, da decadência. No serviço do Cristo, também é justo que o aprendiz aguarde o momento de verificação das próprias possibilidades. O caráter, o amor, a fé, a paciência, a esperança representam conquistas para a vida eterna, realizadas pela criatura, com o auxilio santo do Mestre, mas todos os discípulos devem contar com as experiências necessárias que, no instante oportuno, lhe provarão as qualidades espirituais.

NOSSA REFLEXÃO

Todos nós, Espíritos, temos um programa único estabelecido por Deus ao nos criar: conquistarmos a felicidade ou nos tornamos Espíritos puros. Para isto, temos que passar por provas que significam agir segundo a Lei de Deus. Este caminho é um individual, pois todos somos dotados de livre arbítrio, o que nos garante a evolução por mérito moral.[1]

À medida que evoluímos, as provas vão se tornando mais ampliadas e escolhidas por nós, no sentido de conquistarmos, cada vez mais, a pureza espiritual.[2]

Isto, em outras palavras, significa o que Paulo apresentou para os Coríntios como o meio para a conquista da perfeição espiritual: o fogo que temos passar, individualmente ou coletivamente. Emmanuel traduziu o pensamento de Paulo em provas de fogo.

Faz-se necessário, aqui, fazermos uma distinção entre provas e expiações, pois vivemos num mundo de provas e expiações.[3] Há os que sofrem porque expiam faltas cometidas em vidas passadas e há aqueles que precisam se elevar e pedem uma prova (que seria uma prova de fogo) para adquirirem uma progressão espiritual.[4]

Neste processo evolutivo, devemos, então, ter cuidado com o rumo de nossos pensamentos e atos ao longo da vida, pois além de sermos influenciadores, nos deixamos influenciar: pelas tentações próprias de nossa personalidade, as quais nos comprometemos, ao encarnar, superarmos na atual existência, como prova; e pelas mentes contrárias ao nosso progresso espiritual. Se não formos firmes quanto ao que conhecemos ou passamos a conhecer com o estudo do Espiritismo, podemos cair e sermos reprovados...[5]

Que possamos passar por todas as provas de fogo que pedimos para passar e que são necessárias para a nossa evolução.

Que Deus, nossos Anjos da Guarda e Espíritos amigos nos ajudem.

Domicio.



[1]Sobre a evolução dos Espíritos, vejamos a questão de nº 115 de O Livro dos Espíritos: Dos Espíritos, uns terão sido criados bons e outros maus? “Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber. A cada um deu determinada missão, com o fim de esclarecê-los e de os fazer chegar progressivamente à perfeição, pelo conhecimento da verdade, para aproximá-los de si. Nesta perfeição é que eles encontram a pura e eterna felicidade. Passando pelas provas que Deus lhes impõe é que os Espíritos adquirem aquele conhecimento. Uns aceitam submissos essas provas e chegam mais depressa à meta que lhes foi destinada. Outros só a suportam lamentando e, pela falta em que desse modo incorrem, permanecem afastados da perfeição e da prometida felicidade.”

[2] Neste sentido, podemos compreender melhor, isto, acessando à questão de nº 196 de O Livro dos Espíritos: Não podendo os Espíritos aperfeiçoar-se, a não ser por meio das tribulações da existência corpórea, segue-se que a vida material seja uma espécie de crisol ou de depurador, por onde têm que passar todos os seres do mundo espírita para alcançarem a perfeição? “Sim, é exatamente isso. Eles se melhoram nessas provas, evitando o mal e praticando o bem; porém, somente ao cabo de mais ou menos longo tempo, conforme os esforços que empreguem; somente após muitas encarnações ou depurações sucessivas, atingem a finalidade para que tendem.”

[3] Vide em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. III, itens 13 a 15, sobre isto.

[4] Temos em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. V, Item 9. “Não há crer, no entanto, que todo sofrimento suportado neste mundo denote a existência de uma determinada falta. Muitas vezes são simples provas buscadas pelo Espírito para concluir a sua depuração e ativar o seu progresso. Assim, a expiação serve sempre de prova, mas nem sempre a prova é uma expiação. Provas e expiações, todavia, são sempre sinais de relativa inferioridade, porquanto o que é perfeito não precisa ser provado. Pode, pois, um Espírito haver chegado a certo grau de elevação e, nada obstante, desejoso de adiantar-se mais, solicitar uma missão, uma tarefa a executar, pela qual tanto mais recompensado será, se sair vitorioso, quanto mais rude haja sido a luta.” (Grifos nossos).

[5] Convido aos leitores e leitoras a acessarem a mensagem de Emmanuel, em Fonte Viva, intitulada Fermento Espiritual e refletida por nós.

domingo, 6 de junho de 2021

SUSPENSÃO DA REFLEXÃO DE HOJE

 Caríssimas(os) irmãs(ãos),


Peço a compreensão de todos e todas por hoje não haver NOSSA REFLEXÃO dominical.


Precisarei resolver um problema técnico que da sua solução depende toda a minha atividade acadêmica e religiosa, como também os contatos com amigos(as) e familiares.


No próximo domingo retomamos as reflexões sobre as mensagens de Emmanuel grafadas no livro Pão Nosso, por Chico Xavier.


Bom domingo!!

domingo, 30 de maio de 2021

INTERCESSÃO

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INTERCESSÃO

Irmãos, orai por nós.

Paulo (I TESSALONICENSES, 5:25).

Muitas criaturas sorriem ironicamente quando se lhes fala das orações intercessoras.

O homem habituou-se tanto ao automatismo teatral que encontra certa dificuldade no entendimento das mais profundas manifestações de espiritualidade. A prece intercessora, todavia, prossegue espalhando benefícios com os seus valores inalterados. Não é justo acreditar seja essa oração o incenso bajulatório a derramar-se na presença de um monarca terrestre a fim de obtermos certos favores.

A súplica da intercessão é dos mais belos atos de fraternidade e constitui a emissão de forças benéficas e iluminativas que, partindo do espírito sincero, vão ao objetivo visado por abençoada contribuição de conforto e energia. Isso não acontece, porém, a pretexto de obséquio, mas em consequência de leis justas. O homem custa a crer na influenciação das ondas invisíveis do pensamento, contudo, o espaço que o cerca está cheio de sons que os seus ouvidos materiais não registram; só admite o auxilio tangível, no entanto, na própria natureza física veem-se árvores venerandas que protegem e conservam ervas e arbustos, a lhes receberem as bênçãos da vida, sem lhes tocarem jamais as raízes e os troncos.

Não olvides os bens da intercessão.

Jesus orou por seus discípulos e seguidores, nas horas supremas.

NOSSA REFLEXÃO

A prece é o que mais identifica a ligação do ser com o seu Criador. Ou seja, é a essência da Religião, entendida como o meio do ser se voltar para o seu Criador. Assim, toda intervenção feita em favor do próximo se constitui uma intervenção para si mesmo. O Espírito Emmanuel, em seu livro Fonte Viva, nos lembra: “Quando conseguires superar as tuas aflições para criares a alegria dos outros, a felicidade alheia te buscará, onde estiveres, a fim de improvisar a tua ventura”.[1]

O Cristo, como Emmanuel no lembra nesta mensagem, que ora refletimos, “[...] orou por seus discípulos e seguidores, nas horas supremas”. Além disto, nos ensinou a Oração Dominical.[2]

Entretanto, é preciso que aquele que ora, saiba sobre o verdadeiro significado da prece e sua eficácia. Com essa consciência, o interventor por si ou pelo próximo qualificará o teor de sua prece[3].

O Cristo, também, se colocou, em relação a nossa humanidade, por ser o Governador planetário, como o interventor mais próximo de Deus, pela sua sintonia com o Pai.

A intercessão ou a prece é tão importante no processo evolutivo do ser humano, que Allan Kardec organizou dois capítulos sobre ela, em O Evangelho Segundo o Espiritismo: o XXVII e o XXVIII.

Assim, não olvidemos “[...] os bens da intercessão”, como nos diz Emmanuel nesta mensagem.

Que Deus no lembre.

Domício.



[1] Vide a mensagem em sua íntegra em Estímulo Fraternal, seguida de nossa reflexão.
[2] Vide dissertação de Allan Kardec sobre esta prece, além de sua ampliação conforme a Doutrina Espírita em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXVIII, a partir do Itens 2 e 3.
[3]
Vide sobre isto em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXVII.

domingo, 23 de maio de 2021

A QUEM OBEDECES?

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A QUEM OBEDECES?

E, sendo ele consumado, veio a ser a causa de eterna salvação para todos os que lhe obedecem.

Paulo (HEBREUS, 5:9).

Toda criatura obedece a alguém ou a alguma coisa.

Ninguém permanece sem objetivo.

A própria rebeldia está submetida às forças corretoras da vida.

O homem obedece a toda hora. Entretanto, se ainda não pôde definir a própria submissão por virtude construtiva, é que, não raro, atende, antes de tudo, aos impulsos baixos da natureza, resistindo ao serviço de autoelevação.

Quase sempre transforma a obediência que o salva em escravidão que o condena. O Senhor estabeleceu as gradações do caminho, instituiu a lei do próprio esforço, na aquisição dos supremos valores da vida, e determinou que o homem lhe aceitasse os desígnios para ser verdadeiramente livre, mas a criatura preferiu atender à sua condição de inferioridade e organizou o cativeiro. O discípulo necessita examinar atentamente o campo em que desenvolve a própria tarefa.

A quem obedeces? Acaso, atendes, em primeiro lugar, às vaidades humanas ou às opiniões alheias, antes de observares o conselho do Mestre divino?

É justo refletir sempre, quanto a isso, porque somente quando atendemos, em tudo, aos ensinamentos vivos de Jesus, é que podemos quebrar a escravidão do mundo em favor da libertação eterna.

NOSSA REFLEXÃO

Cada um e cada uma de nós, seres humanos, na condição de pais ou mães, desejamos e esperamos dos filhos e filhas a obediência, ou pelo menos anotações ao que lhes é orientado. Entristecemo-nos quando não somos ouvidos(as), restando a nós pedir a Deus que proteja aqueles (as) que nos foram dados (as) para ajudar em sua evolução, não esquecendo que também somos imperfeitos (as).

Emmanuel nos traz esta reflexão, baseado em Paulo (HEBREUS, 5:9). O Mestre escreveu, nos corações daqueles(as) que conviveram com Ele, o roteiro da felicidade espiritual, constituindo, para nós, como Ele mesmo orientou: “[...] o Caminho, e a Verdade, e a vida. [...]” (JOÃO, 14, 6)[1]. Paulo, assim, compreendeu e enfatizou aos Hebreus quem deveria ser a “[...] causa de eterna salvação para todos [...]”, como está grafado no caput desta mensagem de Emmanuel.

Em O Livro dos Espíritos (Questão nº 625), encontramos a mesma compreensão em relação a quem devemos seguir e obedecer se quisermos ser felizes. Allan Kardec, perguntou aos Espíritos Superiores: “Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo? A esta pergunta, a resposta foi a mais simples de todas: JESUS.

Então, temos um modelo e guia a seguir, obedecer. Sigamo-lo e obedeçamo-lo na medida de nossas forças espirituais.

Que Deus nos ajude.

Domício.

Ps: Compartilho uma poesia de L. Angel sobre a nossa compreensão a se materializar em pensamentos e atos.

JESUS: O SENHOR, MESTRE E CONSOLADOR

L. Angel

Jesus, a Inocência.

Cristo, o Mestre.
Messias, a Esperança da Divina Complacência.
Nosso Irmão, o Professor das aulas campestres.

“Eu não vim trazer a paz, mas a espada”,
Disse a Luz do mundo,
Significando a repercussão de Suas ideias ditadas,
Nesse planeta de ideário moral não fecundo.

Na Vinha do Senhor,
Não trabalha qualquer filho Seu.
Precisa estar de mãos limpas, sem amargor,
Como Paulo, um trabalhador digno das maravilhas de Deus.

Que sejamos os trabalhadores fiéis da última hora.
Discípulos convictos continuadores de Sua obra.
Unidos e instruídos, pois a Regeneração não demora.
Para isso o século não dobra.

Jesus, és a luz que nos guia.
CAMINHO iluminado.
A VERDADE que não temos aceitado.
Cristo, tu és a VIDA que não se adia.

[1] O Mestre, compreendendo nossa ignorância, prometeu o Consolador que nos lembraria tudo que tinha dito, de maneira mais compreensiva. Temos isto em (João, 14:15 a 17 e 26). Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. VI, temos a interpretação desta passagem evangélica, além de mensagens do próprio Cristo, assinando como O Espírito de Verdade. Vide em especial o Item 3 deste Capítulo (passagem evangélica e interpretação de A. Kardec).

domingo, 16 de maio de 2021

PENSAMENTOS

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PENSAMENTOS

Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude e se há algum louvor, nisso pensai.

Paulo (FILIPENSES, 4:8).

Todas as obras humanas constituem a resultante do pensamento das criaturas. O mal e o bem, o feio e o belo viveram, antes de tudo, na fonte mental que os produziu, nos movimentos incessantes da vida.

O Evangelho consubstancia o roteiro generoso para que a mente do homem se renove nos caminhos da espiritualidade superior, proclamando a necessidade de semelhante transformação, rumo aos planos mais altos. Não será tão somente com os primores intelectuais da Filosofia que o discípulo iniciará seus esforços em realização desse teor. Renovar pensamentos não é tão fácil como parece à primeira vista. Demanda muita capacidade de renúncia e profunda dominação de si mesmo, qualidades que o homem não consegue alcançar sem trabalho e sacrifício do coração. É por isso que muitos servidores modificam expressões verbais, julgando que refundiram pensamentos. Todavia, no instante de recapitular, pela repetição das circunstâncias, as experiências redentoras, encontram, de novo, análogas perturbações, porque os obstáculos e as sombras permanecem na mente, quais fantasmas ocultos.

Pensar é criar. A realidade dessa criação pode não exteriorizar-se, de súbito, no campo dos efeitos transitórios, mas o objeto formado pelo poder mental vive no mundo íntimo, exigindo cuidados especiais para o esforço de continuidade ou extinção.

O conselho de Paulo aos filipenses apresenta sublime conteúdo. Os discípulos que puderem compreender-lhe a essência profunda, buscando ver o lado verdadeiro, honesto, justo, puro e amável de todas as coisas, cultivando-o, em cada dia, terão encontrado a divina equação.

NOSSA REFLEXÃO

O pensamento é a origem de nossas ações concretas na relação com a natureza e os semelhantes. Todo pensamento, causado por uma sensação, memória, vontade, deve ser acolhido com sentimento questionador de quem quer manter uma padrão mínimo de pureza espiritual. Somos o que pensamos, mas com a possibilidade de modificação do pensar no sentido de sermos cada vez mais evangelizados. No que diz respeito aos pensamentos maus, A. Kardec nos esclarece sobre a importância do seu surgimento em nossa mente:

Todo pensamento mau resulta, pois, da imperfeição da alma; mas, de acordo com o desejo que alimenta de depurar-se, mesmo esse mau pensamento se lhe torna uma ocasião de adiantar-se, porque ela o repele com energia. É indício de esforço por apagar uma mancha.[1]

Assim, por sabermos que o pensamento é origem de nossa linguagem, quando nos relacionarmos com aqueles com quem convivemos ou repreendemos/criticamos, mesmo sem conhecê-los, ao nos manifestar nas redes sociais, devemos moldar a nossa linguagem para, como nos diz Paulo (TITO, 2 :8), nosso adversário não ter "[...] nenhum mal que dizer de nós”.[2]

Todas e todos têm consciência que, muitas vezes, quando falamos e de modo áspero com uma pessoa, o falar, do modo como é expresso, vem sendo materializado no recôndito do ser há muito tempo, sem uma devida lapidação moral. E quando surge a oportunidade, há um transbordamento de palavras recheadas de uma animosidade que faz tanto mal a quem fala, como a quem ouve. Depois, o arrependimento chega, pois às vezes falamos, deste modo, com quem queremos bem. Emmanuel ressalta este movimento espiritual, nesta mensagem, ora refletida: “Pensar é criar. A realidade dessa criação pode não exteriorizar-se, de súbito, no campo dos efeitos transitórios, mas o objeto formado pelo poder mental vive no mundo íntimo, exigindo cuidados especiais para o esforço de continuidade ou extinção”.

Que o nosso falar seja sempre resultado de movimento reflexivo e evangélico. Se a oportunidade, uma provocação, surge num momento inesperado, como sempre é, que tenhamos o freio para pensarmos com calma as nossas observações. Se a sensação causada pelo o outro não é dolorosa, falaremos com compreensão. Caso contrário, melhor responder em outro momento ou, com muito esforço cristão, falar o mínimo possível, pois com certeza, esse esforço será móvel para uma fala superior, que traduz uma influência espiritual benéfica.

Que Deus nos ajude.

Domício.

 

Ps.: Compartilhamos os versos abaixo por entendermos que estão sintonizados com o nosso refletir de hoje, a partir da mensagem de Emmanuel.

A BENFAZEJA PALAVRA
L. ANGEL   26/08/2010

A Palavra,
Escrita ou falada,
É instrumento da boa obra
Ou da mente desalmada.

A humanidade
Que se manifesta pela palavra
Reflete a humildade
Da alma que cultiva a boa lavra.

Seja Ela a materialização da linguagem,
Que brota compulsivamente
Pelos escaninhos da mente
Numa boa mensagem.

Seja Ela a consolação,
O afeto de quem ama,
O esclarecimento que pela mão derrama
Ou a fala do Amor em ação.

 

PASSOS DO SER ESPIRITUAL
L. Angel    28/12/2020

O coração inspira.
Eis o início do pensar.
Pode ser amor ou ira.
A razão de acolher ou matar.
O cérebro pensa.
Eis o início da razão.
Antes que o ódio vença,
Dominemos o interior alazão.
As mãos realizam.
Eis o início da pureza espiritual.
Todos, assim, iniciam
A subida divinal.

Espírito Emmanuel (Chico Xavier)
FONTE VIVA (Reparemos as mãos) – As frases em cor foram extraídas do livro Fonte Viva.


[1] Vide Item 7, do Cap. VIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
[2]
Vide mensagem (de título Linguagem) do Espírito Emmanuel (Chico Xavier – Fonte Viva), com nossa reflexão em Linguagem.