domingo, 1 de dezembro de 2024

ENTENDAMOS SERVINDO

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ENTENDAMOS SERVINDO

Porque também nós éramos, noutro tempo, insensatos.

Paulo (TITO, 3:3).

O martelo, realmente, colabora nos primores da estatuária, mas não pode golpear a pedra, indiscriminadamente.
           O remédio amargo estabelece a cura do corpo enfermo, no entanto, reclama ciência na dosagem.
              Nem mais, nem menos.

Na sementeira da verdade, igualmente, é indispensável não nos desfaçamos em movimento impensado.
         Na Terra, não respiramos num domicílio de anjos. Somos milhões de criaturas, no labirinto de débitos clamorosos do passado, suspirando pela desejada equação.
      Quem ensina com sinceridade, naturalmente aprendeu as lições, atravessando obstáculos duros.
           Claro que a tolerância excessiva resulta em ausência de defesa justa, entretanto, é inegável que para educarmos a outrem, necessitamos de imenso cabedal de paciência e entendimento.
              Paulo, incisivo e enérgico, não desconhecia semelhante realidade.

Escrevendo a Tito, lembra as próprias incompreensões de outra época para justificar a serenidade que nos deve caracterizar a ação, a serviço do Evangelho redentor.

Jamais atingiremos nossos objetivos, torturando chagas, indicando cicatrizes, comentando defeitos ou atirando espinhos à face alheia.
             Compreensão e respeito devem preceder-nos a tarefa em qualquer parte.
          Recordemos nós mesmos, na passagem pelos círculos mais baixos, e estendamos braços fraternos aos irmãos que se debatem nas sombras.
            Se te encontras interessado no serviço do Cristo, lembra-te de que Ele não funcionou em promotoria de acusação e, sim, na tribuna do sacrifício até à cruz, na condição de advogado do mundo inteiro.

NOSSA REFLEXÃO

Vemos nessa mensagem de Emmanuel um paralelo entre a sina de um Apóstolo[1] e o do Educador. De imediato, os dois devem ser tolerantes com o erros dos outros.
         Emmanuel nos lembra do maior Apóstolo da humanidade, qual seja o Deus: Jesus Cristo. Tolerância, indulgência e misericórdia, no infinito, reunidas em uma só pessoa. Seu ato de suprema misericórdia foi feito no alto da cruz, quando proclamou a Deus: “Perdoa-lhes, Pai, que eles não sabem o que fazem” (LUCAS 23:34).
           Todo Educador sabe o que passou para aprender e os erros que cometeu por não ter desenvolvido, até então, o raciocínio ideal para compreender algum fato em seu exercício de aprender. Paulo de Tarso, na figura de Saulo de Tarso foi um perseguidor dos cristãos e não poderia esquecer, conforme Emmanuel nos lembra nessa mensagem, suas “[...] próprias incompreensões de outra época [...]”.
         Para melhor ajudar, não podemos nos tornar verdugos das pessoas para as quais queremos ajudar. O Cristo não foi um coração duro para quem o insultou e o chicoteou, muitos menos para quem determinou sua condenação.
         O Cristo nos ensinou: “Aquele dentre vós que estiver sem pecado, atire a primeira pedra” (JOÃO, 8: 7). Com isto, segundo A. Kardec, Ele fez da

indulgência um dever para nós outros, porque ninguém há que não necessite, para si próprio, de indulgência. Ela nos ensina que não devemos julgar com mais severidade os outros, do que nos julgamos a nós mesmos, nem condenar em outrem aquilo de que nos absolvemos. Antes de profligarmos a alguém uma falta, vejamos se a mesma censura não nos pode ser feita.[2]

Desse modo, sejamos qual o Cristo, reexemplificado por Paulo, ao nos propor a servir toda e qualquer pessoa, sem julgamentos que humilham e condenam.

Que Deus nos ajude.
               Domício.



[1] Vide mensagem de Emmanuel, impressa no livro Fonte  Viva, seguida de Nossa Reflexão.
[2] Vide dissertação, na íntegra, em O  Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. X (Bem-aventurados os que são misericordiosos), Item 13 (Não julgueis, para não serdes julgados. Atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado.

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