domingo, 30 de julho de 2023

CONCILIAÇÃO

 

120
CONCILIAÇÃO

Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz e o juiz te entregue ao oficial de justiça, e te encerrem na prisão.

Jesus (MATEUS, 5:25).

Muitas almas enobrecidas, após receberem a exortação desta passagem, sofrem intimamente por esbarrarem com a dureza do adversário de ontem, inacessível a qualquer conciliação.

A advertência do Mestre, no entanto, é fundamentalmente consoladora para a consciência individual.

Assevera a palavra do Senhor – “concilia-te”, o que equivale a dizer “faze de tua parte”.

Corrige quanto for possível, relativamente aos erros do passado, movimenta-te no sentido de revelar a boa vontade perseverante. Insiste na bondade e na compreensão.

Se o adversário é ignorante, medita na época em que também desconhecias as obrigações primordiais e observa se não agiste com piores características; se é perverso, categoriza-o à conta de doente e dementado em vias de cura.

Faze o bem que puderes, enquanto palmilhas os mesmos caminhos, porque se for o inimigo tão implacável que te busque entregar ao juiz, de qualquer modo, terás então igualmente provas e testemunhos a apresentar. Um julgamento legítimo inclui todas as peças e somente os espíritos francamente impenetráveis ao bem sofrerão o rigor da extrema justiça.

Trabalha, pois, quanto seja possível no capítulo da harmonização, mas se o adversário te desdenha os bons desejos, concilia-te com a própria consciência e espera confiante.

NOSSA REFLEXÃO

Emmanuel nos lembra de uma importante passagem evangélica voltada o perdão, à reconciliação.

Quem tem com quem se reconciliar, que consiga. Contudo, não é fácil perdoar. Se formos a pessoa ofendida, pra quem lê essa mensagem de Emmanuel, e além disso, formos um predisposto a ser um verdadeiro espírita, é mais fácil. Pois todo e toda espírita carrega em sim o forte desejo de voltar ao plano espiritual bem melhorado. Mas ainda, assim, não é fácil. Não devemos julgar outra pessoa espírita por não ser afeita à reconciliação com outra pessoa. Cada pessoa no tempo.

Mas, de qualquer modo, a reconciliação depende do desejo das duas pessoas em buscar essa harmonização.

Nesse caso, devemos manter o desejo de voltar a ser amigo ou amiga de uma pessoa que com ela tivemos situações de decepções muito sofridas. E o futuro espiritual deve ser uma motivação maior pra a reconciliação, como nos esclarece A. Kardec:

Quando Jesus recomenda que nos reconciliemos o mais cedo possível com o nosso adversário, não é somente objetivando apaziguar as discórdias no curso da nossa atual existência; é, principalmente, para que elas se não perpetuem nas existências futuras. Não saireis de lá, da prisão, enquanto não houverdes pago até o último centavo, isto é, enquanto não houverdes satisfeito completamente a Justiça de Deus.[1]

 

Ou seja, sendo nossa encarnação ser uma prisão, pois quem já atingiu uma espiritualidade superior, não tem obrigação de reencarnar, precisamos garantir que uma eventual volta ao plano de carne seja em missão espiritual. A justiça deve aplicada e devemos ser dóceis e colaborador com quem nos assiste enquanto estamos reencarnados.

Então sejamos misericordiosos com aquele ou aquela que não se dispõe a uma reconciliação conosco e esperar uma oportunidade em que ela esteja a esse ato. Coloquemo-nos no lugar do ofendido e esperemos, pois, certamente, um dia a reconciliação vai acontecer.

Como Emmanuel, no fechamento dessa mensagem, nos diz, “[...] se o adversário te desdenha os bons desejos, concilia-te com a própria consciência e espera confiante.”

Que Deus nos ajude a perdoar quem nos ofendeu e quem não venha a aceitar um pedido de reconciliação.

Domício.

Ps. Sobre essa temática, compartilho duas poesias de L. Angel.

PERDOA-ME?      PERDOO–TE!!
L. Angel                    04/08/2015
Perdoar é um ato de amor.
Primeiro a si mesmo, porque liberta.
Liberta a vítima e o que gerou a dor.
É a caridade na medida certa.


Perdoar é doar-se por completo.
Por isso, setenta vezes sete.
Não há um teto.
Perdoando, a ofensa menos se repete.


Algoz e vítima, vítima e algoz,
Cada um, a justiça clama
Sem perdoar, sem desatar os nós.


Perdoe-me! Mas perdoar não é esquecer.
É lembrar com a mente de quem ama.
É a caridade viver.


Perdoo–te! Em paz quero viver!
Libertar-me do ódio, eis minha cura!
Odiar é morrer.
Amar é viver a caridade pura!


Segue um fragmento poético


Não há perdão mais caridoso,
Para aquele que magoou,
Que perdoar, de modo venturoso,
O ofendido que um perdão lhe negou.
L. Angel



[1] Vide, na íntegra, a dissertação de A. Kardec, sobre o tema, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. X, Item 6.

Nenhum comentário:

Postar um comentário