domingo, 27 de outubro de 2024

ESPIRITISMO NA FÉ

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ESPIRITISMO NA FÉ

E estes sinais seguirão aos que crerem; em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas.

Jesus (MARCOS, 16:17).

Permanecem as manifestações da vida espiritual em todos os fundamentos da Revelação divina, nos mais variados círculos da fé.

Espiritismo em si, portanto, deixa de ser novidade, dos tempos que correm, para figurar na raiz de todas as escolas religiosas.

Moisés estabelece contacto com o plano espiritual no Sinai.

Jesus é visto pelos discípulos, no Tabor, ladeado por mortos ilustres.

O colégio apostólico relaciona-se com o Espírito do Mestre, após a morte dele, e consolida no mundo o Cristianismo redentor.

Os mártires dos circos abandonam a carne flagelada, contemplando visões sublimes.

Maomé inicia a tarefa religiosa, ouvindo um mensageiro invisível.

Francisco de Assis percebe emissários do Céu que o exortam à renovação da Igreja.

Lutero registra a presença de seres de outro mundo.

Teresa d’Ávila recebe a visita de amigos desencarnados e chega a inspecionar regiões purgatoriais, através do fenômeno mediúnico do desdobramento.

Sinais do reino dos Espíritos seguirão os que crerem, afirma o Cristo. Em todas as instituições da fé, há os que gozam, que aproveitam, que calculam, que criticam, que fiscalizam... Esses são, ainda, candidatos à iluminação definitiva e renovadora. Os que crêem, contudo, e aceitam as determinações de serviço que fluem do Alto, serão seguidos pelas notas reveladoras da imortalidade, onde estiverem. Em nome do Senhor, emitindo vibrações santificantes, expulsarão a treva e a maldade, e serão facilmente conhecidos, entre os homens espantados, porque falarão sempre na linguagem nova do sacrifício e da paz, da renúncia e do amor.

NOSSA REFLEXÃO

Emmanuel nos traz, historicamente, ou pontualmente, identificando Espíritos missionários, como foi a presença dos Espíritos superiores na vida desses missionários.

Quando da codificação da Doutrina Espíritas, em O Evangelho Segundo o Espíritismo, o Espírito Erasto, nos anima com certezas sobre o acompanhamento aos espíritas estudiosos e fervorosos das falanges espirituais coordenadas por Cristo:

[...] As línguas de fogo estão sobre as vossas cabeças. Ó verdadeiros adeptos do Espiritismo!... sois os escolhidos de Deus! Ide e pregai a palavra divina. Convosco estão os Espíritos elevados. [...] Ide, Deus vos guia! Homens simples e ignorantes, vossas línguas se soltarão e falareis como nenhum orador fala. Ide e pregai, que as populações atentas recolherão ditosas as vossas palavras de consolação, de fraternidade, de esperança e de paz.[1]

Contudo, para isso, é preciso a coragem da fé. Emmanuel, ratifica isso, quando nos lembra que: “os que crêem, contudo, e aceitam as determinações de serviço que fluem do Alto, serão seguidos pelas notas reveladoras da imortalidade, onde estiverem.”

Allan Kardec revela a importância dessa coragem:

A coragem das opiniões próprias sempre foi tida em grande estima entre os homens, porque há mérito em afrontar os perigos, as perseguições, as contradições e até os simples sarcasmos, aos quais se expõe, quase sempre, aquele que não teme proclamar abertamente ideias que não são as de toda gente.[2]

Historicamente, especialmente no início do Cristianismo, muitos cristãos foram jogados às arenas cheias de leões famintos, crucificados por se identificarem com a Doutrina do Cristo.

Então, com muita alegria, apesar de ainda haver perseguições, chegando a assassinatos de líderes religiosos, a sociedade brasileira proclamou o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa (21/01).

Devemos, então, respeitando as religiões das demais pessoas, confiar que a nossa motivação de exercer um papel de divulgador da Doutrina Espírita, será protegida e acompanhada pelo plano espiritual que nos inspirará a fazer o melhor que podemos fazer, guardadas as nossas limitações espirituais.

Que Deus nos ajude em nossa fé.

Domício.

[1] Vide mensagem, na íntegra, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XX (Os trabalhadores da última hora), Item 4 (Missão dos Espíritas).
[2] Vide dissertação kardequiana, na íntegra, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXIV (Não ponhais a candeia debaixo do alqueire), Item 15 (Coragem da fé).

domingo, 20 de outubro de 2024

domingo, 13 de outubro de 2024

COMO TESTEMUNHAR

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COMO TESTEMUNHAR

 

Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da Terra.

ATOS (1:8).

Realmente, Jesus é o Salvador do Mundo, mas não libertará a Terra do império do mal, sem a contribuição daqueles que lhe procuram os recursos salvadores.

O divino Mestre, portanto, precisa de auxiliares com atribuições de prepostos e testemunhas, em toda parte.

É impraticável o aprimoramento das almas, sem educação, e a educação exige legiões de cooperadores.

Contudo, para desempenharmos a tarefa de representantes do Senhor, na obra sublime de elevação, não basta o título externo, com vistas à escola religiosa.

Indispensável é a obtenção de bênçãos do Alto, por intermédio da execução de nossos deveres, por mais difíceis e dolorosos.

Até agora, conhecemos à saciedade, na Terra, o poder de dominar, governar, recusar e ferir, de fácil acesso no campo da vida.

Raras criaturas, porém, fazem por merecer de Jesus o poder celeste de obedecer, ensinando, de amar, construindo para o bem, de esperar, trabalhando, de ajudar desinteressadamente. Sem a recepção de semelhantes recursos, que nos identificam com o Trabalhador divino, e sem as possibilidades de refleti-lo para o próximo, em espírito e verdade, através do nosso esforço constante de aplicação pessoal do Evangelho, podemos personificar excelentes pregadores, brilhantes literatos ou notáveis simpatizantes da doutrina cristã, mas não testemunhas dele.

NOSSA REFLEXÃO

Emmanuel nos lembra do maior trabalhador de Deus no nosso planeta e exalta que devemos, de fato, sermos suas testemunhas, como ele orientou ainda com os seus primeiros discípulos.

Devemos ser exemplos do que transmitimos. Ou seja, é melhor que quem cruza o nosso caminho nos conheça por atos cristãos e confirmemos com a divulgação da Doutrina que nos orienta a praticarmos o que as pessoas vêem.

Se tivemos encarnados em nosso planeta um ser que nos ensinou a sermos caridosos, na mais pura e significativa concepção da palavra caridade[1], temos um exemplo a seguir. Nosso objetivo é nos tornar, também, um trabalhador divino.

Os Espíritos Superiores nos interpretaram a parábola do Trabalhador da última hora (Mateus, 20:1 a 16) na obra O Evangelho Segundo o Espiritismo, de autoria de Allan Kardec. Constantino, Espírito Protetor, ainda nos estimula, espíritas, como possíveis trabalhadores da última hora:

Bons espíritas, meus bem-amados, sois todos obreiros da última hora. Bem orgulhoso seria aquele que dissesse: Comecei o trabalho ao alvorecer do dia e só o terminarei ao anoitecer. Todos viestes quando fostes chamados, um pouco mais cedo, um pouco mais tarde, para a encarnação cujos grilhões arrastais; mas há quantos séculos e séculos o Senhor vos chamava para a sua vinha, sem que quisésseis penetrar nela! Eis-vos no momento de embolsar o salário; empregai bem a hora que vos resta e não esqueçais nunca que a vossa existência, por longa que vos pareça, mais não é do que um instante fugitivo na imensidade dos tempos que formam para vós a eternidade.[2]

No entanto, esse papel deve ser de toda pessoa cristã que se identifica com a Doutrina do Cristo. Mas vejamos o estímulo que o Espírito Erasto deu aos espíritas, identificados com o Consolador Prometido por Jesus Cristo, a 3ª Revelação e de último modo, a Doutrina Espírita:

[...] ides pregar o novo dogma da reencarnação e da elevação dos Espíritos, conforme tenham cumprido, bem ou mal, suas missões e suportado suas provas terrestres. Não mais vos assusteis! As línguas de fogo estão sobre as vossas cabeças. Ó verdadeiros adeptos do Espiritismo!... sois os escolhidos de Deus! Ide e pregai a palavra divina. É chegada a hora em que deveis sacrificar à sua propagação os vossos hábitos, os vossos trabalhos, as vossas ocupações fúteis. Ide e pregai. Convosco estão os Espíritos elevados. Certamente falareis a criaturas que não quererão escutar a voz de Deus, porque essa voz as exorta incessantemente à abnegação. Pregareis o desinteresse aos avaros, a abstinência aos dissolutos, a mansidão aos tiranos domésticos, como aos déspotas! Palavras perdidas, eu o sei; mas não importa. Faz-se mister regueis com os vossos suores o terreno onde tendes de semear, porquanto ele não frutificará e não produzirá senão sob os reiterados golpes da enxada e da charrua evangélicas. Ide e pregai![3]

Desse modo, o Espírito Erasto nos ratifica a orientação do Mestre, grafada no caput dessa mensagem de Emmanuel, que ora refletimos, a sermos testemunha dele e nos convida a sermos disseminadores da Doutrina Espírita, sem esquecer que não estaremos sozinhos.

Mas reafirmamos que a divulgação deve ser precedida de atos espíritas cristãos. O Mestre voltou para nos lembrar disso sob a identificação de Espírito de Verdade. E Ele nos estimula, também:

Aproxima-se o tempo em que se cumprirão as coisas anunciadas para a transformação da Humanidade. Ditosos serão os que houverem trabalhado no campo do Senhor, com desinteresse e sem outro móvel, senão a caridade! Seus dias de trabalho serão pagos pelo cêntuplo do que tiverem esperado. Ditosos os que hajam dito a seus irmãos: “Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra”, porquanto o Senhor lhes dirá: “Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra! [...] Deus procede, neste momento, ao censo dos seus servidores fiéis e já marcou com o dedo aqueles cujo devotamento é apenas aparente, a fim de que não usurpem o salário dos servidores animosos, pois aos que não recuarem diante de suas tarefas é que Ele vai confiar os postos mais difíceis na grande obra da regeneração pelo Espiritismo. Cumprir-se-ão estas palavras: “Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros no Reino dos Céus.[4]

Então, que sejamos testemunhas do Cristo em atos e palavras, divulgando assim sua Boa Nova.

Que Deus nos ajude.

Domício.



[1] Questão nº 886 de O Livro dos Espíritos: Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus? Resp.: Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.
[2] Vide a mensagem, na íntegra, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XX (Os trabalhadores da última hora), Item 2 ( Instruções dos Espíritos – Os últimos serão os primeiros).
[3] Vide a mensagem, na íntegra, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XX (Os trabalhadores da última hora), Item 4 ( Instruções dos Espíritos – Missão dos Espíritas).
[4] Vide a mensagem, na íntegra, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XX (Os trabalhadores da última hora), Item 5 ( Instruções dos Espíritos – Os obreiros do Senhor).

domingo, 6 de outubro de 2024

QUE DESPERTAS?

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QUE DESPERTAS?

De sorte que transportavam os enfermos para as ruas e os punham em leitos e em camilhas para que ao menos a sombra de Pedro, quando este passasse, cobrisse alguns deles.

Atos (5:15).

O conquistador de glórias sanguinolentas espalha terror e ruínas por onde o político astucioso semeia a desconfiança e a dúvida.

O juiz parcial acorda o medo destrutivo.

O revoltado espalha nuvens de veneno sutil.

O maledicente injeta disposições malignas nos ouvintes, provocando o verbo desvairado.

O caluniador estende fios de treva na senda que trilha.

O preguiçoso adormece as energias daqueles que encontra, inoculando-lhes fluidos entorpecentes.

O mentiroso deixa perturbação e insegurança, ao redor dos próprios passos.

O galhofeiro, com a simples presença, inspira e encoraja histórias hilariantes.

Todos nós, através dos pensamentos, das palavras e dos atos, criamos atmosfera particular, que nos identifica aos olhos alheios.

A sombra de Simão Pedro, que aceitara o Cristo e a Ele se consagrara, era disputada pelos sofredores e doentes que encontravam nela esperança e alívio, reconforto e alegria.

Examina os assuntos e as atitudes que a tua presença desperta nos outros. Com atenção, descobrirás a qualidade de tua sombra e, se te encontras interessado em aquisição de valores iluminativos com Jesus, será fácil descobrires as próprias deficiências e corrigí-las.

NOSSA REFLEXÃO

Emmanuel nos traz uma reflexão sobre o que despertamos nas pessoas que seguem conosco um caminho.

Qual a nossa escolha? Aquela que nos ajuda a crescer espiritualmente ou o contrário?

O que despertamos nas pessoas ao interagirmos com elas ou mesmo por um simples post numa rede social?

Em Apóstolos do livro Fonte Viva (Chico Xavier-FEB), o Espírito Emmanuel faz um comparativo entre todas as pessoas influentes na sociedade e os Apóstolos e finaliza que os Apóstolos são “[...] são os condutores do espírito.”

Na atualidade, há os chamados influencer que se apresentam em um perfil deuma rede social para dar direcionamento de ideias que pode ser educativas ou não.

Assim, muitos de nós, para nos justificar como pensamos e agimos, nos baseamos em alguém que tem centenas ou milhares de seguidores.

Mas qual a característica de um bom influenciador?

Pensando na influência de um Espírito desencarnado, temos em o O Livro dos Espíritos o modo como eles nos influenciam espiritualmente. Ao serem perguntados se os Espíritos nos influenciavam, os Espíritos Superiores responderam: “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto que, de ordinário, são eles que vos dirigem.”[1] Estes são invisíveis. Mas os que estão visíveis na sociedade?

Cada um se associa àquele que mais se identifica consigo para justificar que não pensa sozinho sobre algo que lhe é peculiar.

Assim, a falta de estudos, reflexão crítica e moral conduz as pessoas integrar a um movimento que socialmente se chama de gado e cada um e cada uma se deixa influenciar ao que o líder (o influencer) diz. É impressionante como, por exemplo, num processo eleitoral um candidato de índole má tem um número expressível de possíveis eleitores. A que se deve isso?

Nesse movimento, cada um vai influenciando quem se aproxima ou acessa um rede e vai influenciando outros grupos, por compartilhamento na internet. Mas essa influência pode acontecer presencialmente no bairro, universidades ou outras agremiações. Então, a quem devemos seguir para que outras possam nos seguir a partir de nossas falas ou pensamentos escritos. Ou seja, como podemos ser um bom influencer?

Que nos deixemos nos influenciar pela Doutrina do Mestre que foi ampliada via Doutrina Espírita.

Que Deus nos ajude.

Domício.



[1] Vide em O Livro dos Espíritos, Parte Segunda, Cap. IX (Da intervenção dos Espíritos no mundo corporal - Influência oculta dos Espíritos em nossos pensamentos e atos), Questão 459.