domingo, 13 de fevereiro de 2022

COMPREENDAMOS

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COMPREENDAMOS

Sacrifícios, e ofertas, e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem te agradaram.

Paulo (HEBREUS, 10:8).

O mundo antigo não compreendia as relações com o Altíssimo, senão através de suntuosas oferendas e pesados holocaustos.

Certos povos primitivos atingiram requintada extravagância religiosa, conduzindo sangue humano aos altares.

Tais manifestações infelizes vão-se atenuando no cadinho dos séculos; no entanto, ainda hoje se verificam lastimáveis pruridos de excentricidade, nos votos dessa natureza.

O Cristianismo operou completa renovação no entendimento das verdades divinas; contudo, ainda em suas fileiras costumam surgir absurdas promessas, que apenas favorecem a intromissão da ignorância e do vício.

A mais elevada concepção de Deus que podemos abrigar no santuário do espírito é aquela que Jesus nos apresentou, em no-lo revelando Pai amoroso e justo, à espera dos nossos testemunhos de compreensão e de amor.

Na própria crosta da Terra, qualquer chefe de família, consciencioso e reto, não deseja os filhos em constante movimentação de ofertas inúteis, no propósito de arrefecer-lhe a vigilância afetuosa. Se tais iniciativas não agradam aos progenitores humanos, caprichosos e falíveis, como atribuir semelhante falha ao Todo-­Misericordioso, no pressuposto de conquistar a benemerência celeste?

É indispensável trabalhar contra o criminoso engano.

A felicidade real somente é possível no lar cristão do mundo, quando os seus componentes cumprem as obrigações que lhes competem, ainda mesmo ao preço de heroicas decisões. Com o nosso Pai Celestial, o programa não é diferente, porque o Senhor supremo não nos pede sacrifícios e lágrimas e, sim, ânimo sereno para aceitar-lhe a vontade sublime, colocando-a em prática.

REFLEXÃO

O Cap. 10 de Hebreus, traz-nos uma reflexão de Paulo sobre tempos anteriores ao Cristo em que os religiosos, anualmente, faziam sacrifícios de animais para redimir suas culpas. Contudo, Paulo, afirma que nada disto faria ninguém se sentir melhor. Lembra, que o Cristo deu a sua própria vida pelos pecados do terrenos, mostrando que o sacrifício maior que podemos fazer para nos redimir das faltas cometidas é o sacrifício de nosso orgulho, desejos inferiores e ajuda aos nossos semelhantes. Quando Ele desceu, já presumia o que iria acontecer com ele, mas, assim mesmo, veio estar conosco para nos orientar a sermos melhores, com bem-aventuranças, curas, consolos e sacrifício pessoal, como seus discípulos, depois de sua partida, o fizeram, assim como o Paulo.

Na Parábola do Festim de Bodas (MATEUS, 21: 1 a 14), Ele nos mostra que para atingirmos o Reino do Céus, não basta dizer que quer participar: tem que ter a credencial. Nesta parábola, o Rei mandou chamar os que já tinham sido convidados, mas nenhum veio, e ainda mataram os emissários do convite. Então, o Rei enviou os servos às todas as encruzilhadas convidar quem encontrasse, porém nem todos estavam preparados, pois, como é dito na parábola, nem todos traziam a túnica nupcial. Finaliza a parábola dizendo que muitos são chamados, mas poucos são escolhidos.[1]

A. Kardec disserta sobre esta parábola para a nossa melhor compreensão:

Na de que tratamos, Jesus compara o Reino dos Céus, onde tudo é alegria e ventura, a um festim. Falando dos primeiros convidados, alude aos hebreus, que foram os primeiros chamados por Deus ao conhecimento da sua Lei. Os enviados do rei são os profetas que os vinham exortar a seguir a trilha da verdadeira felicidade; suas palavras, porém, quase não eram escutadas; suas advertências eram desprezadas; muitos foram mesmo massacrados, como os servos da parábola. Os convidados que se escusam, pretextando terem de ir cuidar de seus campos e de seus negócios, simbolizam as pessoas mundanas que, absorvidas pelas coisas terrenas, se conservam indiferentes às coisas celestes.

Sacrifícios reais são aqueles que decerto não são fáceis de sofrer, simbolizados pela Porta Estreita (MATEUS, 7:13 e 14). A. Kardec faz uma relação desta citação evangélica com a Parábola do Festim de Bodas:

Larga é a porta da perdição, porque são numerosas as paixões más e porque o maior número envereda pelo caminho do mal. É estreita a da salvação, porque a grandes esforços sobre si mesmo é obrigado o homem que a queira transpor, para vencer suas más tendências, coisa a que poucos se resignam. É o complemento da máxima: “Muitos são os chamados e poucos os escolhidos".[2]

Então, não basta entoar o nome do Senhor para merecer a consideração esperada do Pai, pois

De que serve, porém, lhe chamarem Mestre ou Senhor, se não lhe seguem os preceitos? Serão cristãos os que o honram com exteriores atos de devoção e, ao mesmo tempo, sacrificam ao orgulho, ao egoísmo, à cupidez e a todas as suas paixões? Serão seus discípulos os que passam os dias em oração e não se mostram nem melhores, nem mais caridosos, nem mais indulgentes para com seus semelhantes? Não, porquanto, do mesmo modo que os fariseus, eles têm a prece nos lábios, e não no coração (A. KARDEC).[3]

Então, que sejamos menos pedintes e confessores de nossos atos infelizes. Reconheçamos as nossas fraquezas e as sacrifiquemos, eliminando-as, dia a dia, para adquirimos a nossa túnica nupcial para entrarmos no Reino do Céu.

Que Deus, Jesus, nosso Anjo Guardiões e os bons Espíritos, encarnados ou não, nos ajudem, sendo nós firmes nos nossos propósitos de nos reformarmos espiritualmente.

Domício.



[1] Vide em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 18. Item 2.
[2] Vide em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 18. Item 5.
[3] Vide em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 18. Item 9.

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