domingo, 24 de outubro de 2021

TRABALHEMOS TAMBÉM

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TRABALHEMOS TAMBÉM

E dizendo: varões, por que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões.

(Atos, 14:15).

O grito de Paulo e Barnabé ainda repercute entre os aprendizes fiéis.

A família cristã muita vez desejado perpetuar a ilusão dos habitantes de Listra.

Os missionários da Revelação não possuem privilégio ante o espírito de testemunho pessoal no serviço. As realizações que poderíamos apontar por graça ou prerrogativa especial, nada mais exprimem senão o profundo esforço deles mesmos, no sentido de aprender e aplicar com Jesus.

O Cristo não fundou com a sua doutrina um sistema de deuses e devotos, separados entre si; criou vigoroso organismo de transformação espiritual para o bem supremo, destinado a todos os corações sedentos de luz, amor e verdade.

No Evangelho, vemos Madalena arrastando dolorosos enganos, Paulo perseguindo ideais salvadores, Pedro negando o Divino Amigo, Marcos em luta com as próprias hesitações; entretanto, ainda aí, contemplamos a filha de Magdala, renovada no caminho redentor, o grande perseguidor convertido em arauto da Boa-Nova, o discípulo frágil conduzido à glória espiritual e o companheiro vacilante transformado em evangelista da Humanidade inteira.

O Cristianismo é fonte bendita de restauração da alma para Deus.

O mal de muitos aprendizes procede da idolatria a que se entregam, em derredor dos valorosos expoentes da fé viva, que aceitam no sacrifício a verdadeira fórmula de elevação; imaginam-nos em tronos de fantasia e rojam-se-lhes aos pés, sentindo-se confundidos, inaptos e miseráveis, esquecendo que o Pai concede a todos os filhos as energias necessárias à vitória.

Naturalmente, todos devemos amor e respeito aos grandes vultos do caminho cristão; todavia, por isto mesmo, não podemos olvidar que Paulo e Pedro, como tantos outros, saíram das fraquezas humanas para os dons celestiais e que o planeta terreno é uma escola de iluminação, poder e triunfo, sempre que buscamos entender-lhe a grandiosa missão.

NOSSA REFLEXÃO

Esta mensagem nos traz a reflexão da transformação moral ou reforma íntima. Não cabe, a nós, nos eximir do esforço de nos melhorarmos, sob a desculpa que não somos superiores como o Cristo.

O Cristo veio para os Espíritos encarnados fracos, doentes e imperfeitos[1] e contou com irmãos, já evoluídos, sim, mas ainda apresentando sinais de imperfeições. Por isso, os que o seguiram, depois de algumas situações de provas que passaram, a maioria caiu na fé, ou os que o perseguiram, não entendo a missão de Jesus, seguiu fielmente, e de modo muito contundente e até inflexível, a sua religião, como foi o caso de Saulo de Tarso, um Doutor da Lei mosaica, que depois da sua conversão ao Cristianismo, veio a se chamar de Paulo, o Apóstolo dos Gentios. Outros (as) se renderam ao contato com o Cristo e se transformaram da noite para o dia, como foi o caso de Madalena[2]. E Paulo, no caput desta mensagem, nos lembra que ele e seus companheiros não estavam livres de provas, mas que se esforçavam em não cair.

Então, somos potencialmente modificáveis e o Cristo mostrou acreditar nisto. Para isso precisamos nos esforçar, duramente, para que possamos nos reformar intimamente. Sobre isto, A. Kardec nos estimula e cobra comprometimento com a nossa evolução e nos diz que “reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más”[3].

Que sejamos resolutos em nossa transformação moral, sabendo que temos muito a aprender e que possivelmente cairemos aqui e ali, como aprendizes que ainda não aprenderam, mas que merecem uma nova avaliação.

Que Deus nos ajude.

Domício.


[1] “Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo”. (Mateus, 11:28 a 30). Segundo A. Kardec, “Seu jugo é a observância dessa lei; mas esse jugo é leve e a lei é suave, pois que apenas impõe, como dever, o amor e a caridade” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. VI, Item 2).
[2] Vide mensagem de Emmanuel, intitulada Madalena, seguida de nossa reflexão.
[3] O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVII, Item 4 (Os bons espíritas).

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